Força e CGT fazem manifesto por reajuste salarial

O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, realiza esta manhã, em conjunto com Confederação Geral do Trabalhadores (CGT) e com a Central Brasileira de Trabalhadores e Empreendedores (CBTE), um ato de antecipação de campanha salarial das categorias com data-base no segundo semestre de cada ano. A manifestação ocorre na Praça Ramos de Azevedo, região central de São Paulo."O reajuste obtido pelo trabalhador em novembro do ano passado foi corroído pela inflação dos últimos quatro meses. Por isso, é necessário que se reajuste os salários", justificou. "Se tomarmos o exemplo de um trabalhador que passou a ganhar de R$ 400 a R$ 500 a partir de novembro, somente com os reajustes nas tarifas de transporte coletivo já foi perdido todo o ganho salarial que ele teve lá atrás", argumenta.Baseado em um levantamento feito pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudo Sócio-Econômico (Dieese), Paulinho afirmou que a inflação em quatro meses deverá fechar em fevereiro em torno de 12% pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do IBGE. "Aceitamos uma correção do salário em 10% para que não fique parecendo que somos radicais", sugeriu. Segundo ele, as categorias que tiveram data-base no segundo semestre são de setores de metalurgia, alimentação, comércio, papel e papelão, química, panificação, vestuário, joalheria, aeroviária, fabricação de brinquedos, cargas próprias, distribuição de bebidas, têxtil, telefônica, laticínio, práticas de farmácia, desenhistas e rural. De acordo com o sindicalista, cada sindicato apresentará uma pauta de reivindicação para o seu respectivo setor patronal. "Alguns setores, como o de alimentação, já apresentaram a sua pauta. Outros, o farão nos próximos dias, como é o caso dos metalúrgicos de São Paulo, que se reunirão no sindicato patronal na próxima quarta-feira", explicou.Paulinho disse ainda que essas negociações entre trabalhadores e patrões serão realizadas até a terceira semana de março. Caso não se chegue a um acordo, as centrais sindicais buscarão um acerto setorial e, em seguida, procurarão o Tribunal Regional do Trabalho (TRT). Se ainda assim não forem bem sucedidas, as centrais iniciarão greves localizadas nas empresas a partir de abril. "A greve é a nossa última opção", garantiu.O presidente da Força Sindical refutou a avaliação de que seu movimento é político e pode prejudicar o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. "Não queremos prejudicar governo nenhum, muito pelo contrário. Nossa intenção é ajudar o governo porque a economia está muito paralisada e com esses aumentos de salário vamos injetar um pouco de dinheiro na atividade econômica, gerando empregos no comércio e reativando um pouco a produção industrial", argumentou.Além da panfletagem realizada hoje na região central de São Paulo, as três centrais sindicais prometem fazer um novo manifesto na quarta-feira, às 10h30, em frente à sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), quando os sindicalistas pretendem entregar sua pauta de reivindicação ao presidente da Fiesp, Horácio Lafer Piva.

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