Força Sindical critica ameaça de Lula de abrir importações

O presidente da Força Sindical, a segunda maior central de trabalhadores do País, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, criticou a ameaça feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva de abrir as importações do País caso as empresas não contenham os reajustes de preços. "O presidente Lula foi mordido por aquela sucuri que ele segurou na semana passada (durante viagem a Tabatinga, no Amazonas) e ficou louco", acusou o sindicalista. "Jamais imaginaríamos ouvir de um presidente da República, advindo da classe trabalhadora, falar de controle de preços com importação, com incentivo à produção internacional", acrescentou.Segundo Paulinho, antes de ameaçar o empresariado com importações, o governo federal deveria adotar outras medidas, principalmente de caráter tributário. "A maior parte da inflação, nesse momento, resulta dos reajustes de tarifas públicas e do aumento de impostos, como o promovido no setor de serviços", argumentou.Por isso, o sindicalista entende que a receita para eliminar o risco de alta inflacionária está na diminuição de tributos e, mais ainda, na redução dos juros, sobretudo nos spreads bancários. "O governo colocou a corda no pescoço do empresariado, aumentou impostos, e agora começa a puxar, sufocando de vez quem produz", acusou. "Gostaria de ver o governo falando grosso também com o setor financeiro, adotando outros mecanismos de política econômica, forçando os bancos a reduzirem os juros e spreads da ponta. Certamente os empresários não aumentariam os preços se pagassem taxas menores para financiar sua produção e vendas", observou.Caso ponha em prática a advertência de abrir importações, o governo colocará em risco de "quebradeira" a maior parte do setor produtivo brasileiro, na visão da Força Sindical. "Não há nem cinco setores no Brasil com plenas condições de competir em condições de igualdade com empresas estrangeiras", afirmou.

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