Força Sindical critica 'aumento cavalar' da taxa de juros

Segundo secretário, medida vai dificultar a campanha salarial de cerca de 3,5 milhões de trabalhadores

Agência Estado,

23 de julho de 2008 | 19h59

O secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna, destacou, em nota à imprensa, que a entidade repudia o aumento da taxa Selic, elevada nesta quarta-feira, 23, em 0,75 ponto pelo Comitê de Política Monetária (Copom). "Manifestamos nosso repúdio a este aumento cavalar da taxa Selic decidido pelo governo sob a alegação de que é preciso estancar a aceleração do processo inflacionário, reduzindo a demanda. A medida é impopular porque de imediato vai dificultar a campanha salarial de cerca de 3,5 milhões de trabalhadores que já estão negociando reposição das perdas e aumento real de salário com os patrões", diz a nota.   Veja também: Indústria critica alta da Selic e fala em 'vírus da inflação' Copom surpreende e eleva a taxa de juros em 0,75 ponto Juro maior é ineficiente sem corte de gastos, diz Fecomércio   A Força Sindical alega que se o governo quer combater a inflação, teria de incentivar o aumento da produção de alimentos e reduzir os impostos dos produtos da cesta básica. "A decisão do Copom trará efeitos danosos à economia e ao emprego, pois irá inverter a tendência de crescimento do País e de criação de novos postos de trabalho. Como as causas da aceleração da inflação estão relacionadas à conjuntura internacional, a iniciativa do Copom terá pouco efeito prático nos preços das mercadorias - alimentos, petróleo e minerais", conclui a nota.   Para o presidente do SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo), João Claudio Robusti, a elevação da taxa "foi um exagero".   Ao elevar novamente a Selic, o Copom "só olha a inflação do passado", afirmou, argumentando que os últimos indicadores de inflação estão registrando quedas. "Cerca de 85% dos componentes do IGP-10 mostram desaceleração nos seus preços", considerou.   No caso da construção civil, Robusti destacou que o novo aumento da taxa de juros comprometerá as projeções de crescimento para 2009.

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