Força Sindical lança campanha salarial fora da data-base

A Força Sindical lançou hoje uma campanha salarial para repor as perdas salariais de novembro, dezembro, janeiro e fevereiro das categorias que tiveram data-base em novembro. É a primeira campanha do tipo em oito anos. A estimativa da central é de que as perdas nesses quatro meses chegarão a 10,03%."O trabalhador que teve o reajuste médio de 10,26% em novembro já terá perdido todo ele em fevereiro, porque a inflação nos últimos meses foi pesada. Não dá para esperar chegar novembro de novo", afirmou o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho.A campanha deve contar com 14 sindicatos (metalúrgicos, químicos, construção civil, comerciários, condutores, têxteis, alimentação, padeiros e frentistas, entre outros) que representam cerca de 2,6 milhões de trabalhadores. Paulinho garantiu que greves serão feitas só em último caso. "Faremos as pautas e mandaremos para os sindicatos patronais. Minha impressão é de que eles não negociarão, então faremos manifestações na porta da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e poderemos pedir que o Tribunal julgue a causa", disse.Ele acredita em uma boa vontade do Poder Judiciário que, segundo ele, estaria "meio bravo" com o governo Lula. "Se o Tribunal não ficar a favor dos trabalhadores, aí sim faremos greves fábrica por fábrica. Mas, se isso acontecer, será só a partir de março", disse. Paulinho descartou que a campanha salarial tenha cunho político. "Mas a função do governo é segurar a inflação. Se ele não o faz, não pode nos impedir de pedir reajuste", disse. O líder sindical afirmou ser contra a indexação salarial. No entanto, ressaltou que se a inflação disparar, as negociações acontecerão em intervalos de tempo ainda menores.

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