Força sugere plano emergencial contra desemprego

O tumulto verificado ontem entre a Polícia Militar e as cerca de 20 mil pessoas que estiveram no Sambódromo do Rio de Janeiro para fazer inscrição para vagas de gari pelo salário mensal de R$ 280,00 é um reflexo do "caos do desemprego" vivido hoje no Brasil. A opinião é do presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, que sugere ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a adoção de um plano emergencial para a contenção de desemprego no curtíssimo prazo."A política econômica atual só provoca desemprego. Para o curto prazo, como medida emergencial, vamos propor em encontro com o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, a retomada imediata dos investimentos do governo em construção civil", afirma o sindicalista. "Esse setor tem capacidade de empregar rapidamente, mas é claro que só isso não resolve o problema. É preciso mudar a política econômica", ressalta.Outra medida sugerida pelo presidente da central é a de ampliação das parcelas do auxílio-desemprego, hoje de três a cinco saques, para oito a dez parcelas. Segundo ele, a medida seria aplicada apenas pelo período de estagnação econômica do País. "Retomado o crescimento, o governo poderia retornar ao sistema atual de pagamento", garante.Além disso, outra "medida compensatória" de curto prazo sugerida pelo sindicalista é a criação de 1 milhão de postos em frentes de trabalho do governo federal a serem implementadas nas capitais. "Já está comprovado que as frentes de trabalho têm condições de absorver a mão-de-obra menos qualificada, de menor escolaridade, e que hoje sofre seríssimas dificuldades para reingressar ao mercado de trabalho", justifica.Paulinho afirma que o governo despenderia cerca de R$ 1 bilhão por um período de seis meses para instituir essas frentes de trabalho. "São medidas de desafogo, para o governo tomar algum fôlego antes da retomada do crescimento econômico", argumenta.O líder sindical avalia que os patamares de desemprego verificados hoje no País podem corroer a força política de Lula obtida na eleição do ano passado, afetando até mesmo a governabilidade do País. "Esse povo que apanhou ontem da PM no Sambódromo é o mesmo que deposita sua esperança em Lula. Se o desemprego não cai, se o sujeito não vê a mudança de rumo da economia, é lógico que deixa de acreditar no governo", sustenta.

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