André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Força-tarefa da Operação Zelotes analisará 2.300 horas de interceptações

Material é referente a 43 investigados na operação que apura fraudes na Receita Federal que, segundo os investigadores, provocaram prejuízos de R$ 6 bilhões

Talita Fernandes, O Estado de S. Paulo

20 Abril 2015 | 16h05

Brasília - A força-tarefa que atua na Operação Zelotes deverá analisar 230 mil e-mails e 2.300 horas de gravações para desvendar o suposto esquema de corrupção no Conselho de Recursos Administrativos Fiscais (Carf), órgão que funciona como uma espécie de "Tribunal da Receita". 

Os números são de interceptações telefônicas e de contas de e-mails de 43 investigados autorizadas pela Justiça no decorrer da operação e foram mencionados pelo procurador da República que coordena as investigações, Frederico Paiva, ao Conselho Superior do Ministério Público. Ao apresentar os dados, Paiva submeteu ao Conselho um pedido de afastamento por 60 dias de um cargo que ocupa no 6o ofício de Combate à Corrupção, sob a justificativa do volume de trabalho acumulado com a Operação. O pedido do procurador foi aprovado pelos membros do Conselho, presidido pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. 

No início do mês, o Conselho Superior do MP aprovou a criação de uma força-tarefa para cuidar exclusivamente da Operação Zelotes. Paiva é o coordenador do grupo, que conta com mais três procuradores da República. Além do coordenador, compõem a força-tarefa os procuradores José Alfredo de Paula Silva e Raquel Branquinho, os dois da Procuradoria Regional da República da 1ª Região, e Rodrigo Leite Prado, da Procuradoria da República em Minas Gerais.

A Operação Zelotes investiga 74 processos que somariam R$ 19 bilhões em fraudes contra o fisco. Segundo a PF, foram constatados prejuízos de, pelo menos, R$ 6 bilhões aos cofres públicos - valor três vezes maior do que o desviado da Petrobrás por meio do esquema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato (R$ 2,1 bilhões).

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