Daniel Becerril /Reuters
Daniel Becerril /Reuters

Ford condiciona investimento a redução de custo

Depois de fechar em outubro a fábrica em São Bernardo do Campo, a montadora está condicionando um novo ciclo de investimentos em novos produtos na fábrica de Camaçari, na Bahia, produção local seja competitiva

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2019 | 22h35

Depois de fechar em outubro a fábrica em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, a Ford está condicionando um novo ciclo de investimentos em novos produtos na fábrica de Camaçari (BA) à redução urgente de custos para que a produção local seja competitiva, algo parecido ao que a General Motors fez no início do ano para trazer novos aportes para o País.

O recado foi passado na semana passada aos funcionários, sindicatos e fornecedores do grupo pelo presidente da Ford América do Sul, Lyle Watters. Embora não aceite a comparação com a GM - que chegou a ameaçar fechar fábricas -, e nem tenha estabelecido metas específicas do que cada parte tem de defazer, o executivo disse que "todos entenderam que, para garantir novos investimentos é importante ser competitivo e todos sabem quais são suas metas".

Entre os altos custos da fábrica baiana, onde são produzidos os modelos Ka e EcoSport, Watters citou que o pagamento de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) é 35% superior ao da média do setor em outras regiões, sem incluir a fábrica de São Bernardo que, segundo ele "era um caso à parte".

Os custos das peças também são mais altos, disse o presidente da Ford, pois grande parte dos fornecedores está na região Sudeste. O custo de transporte dessas peças e também dos próprios carros fabricados na planta baiana são mais altos por causa da distância dos polos de maior consumo, como São Paulo.

Outra redução de custos promovida recentemente em todo o grupo, que também tem fábrica de motores em Taubaté (SP) e vai concentrar os funcionários do setor administrativo em um escritório na Vila Olímpia, em São Paulo, foi a eliminação de 20% em cargos de gerência. Hoje, a parte administrativa fica no ABC e será transferida para a nova casa no início de 2020.

A Ford registrou prejuízos de US$ 680 milhões na América do Sul no ano passado e este ano, segundo previsão da empresa, a perda ficará nessa mesma faixa. Em 2016, quando Watters veio para o Brasil para promover a reestruturação dos negócios da marca na região, o prejuízo tinha sido de US$ 1,2 bilhão.

Venda da fábrica 

Watters afirmou que, além do grupo Caoa, há negociações em andamento "com outros parceiros", sem citar nomes. Há boatos no mercado de que uma das interessadas seria a chinesa BYD.

Na terça-feira, Carlos Alberto de Oliveira Andrade, dono do grupo Caoa, afirmou ser "remota" as chances de adquirir a fábrica. Watters, contudo, afirmou ter esperança de que vai encontrar "uma boa solução para a fábrica".

Em encontro com a imprensa na quarta-feira em São Paulo, Watters anunciou que há oito novos produtos previstos para 2020, mas não detalhes de quantos serão produzidos localmente ou importados. Citou apenas o utilitário-esportivo (SUV) Territory, que inicialmente será importado da China e, no futuro, deverá ser feito provavelmente na Argentina.

O executivo disse apenas que "os outros sete produtos serão fantásticos". O Ka hatch, um dos modelos fabricados na Bahia é o segundo carro mais vendido no País. A marca está em quinto lugar no ranking de vendas de automóveis e comerciais leves neste ano, com 199,4 mil unidades, mas muito próximo dos números da Renault (em quarto lugar, com 215,4 mi;l) e da Toyota (emsexto lugar, com 194,4 mil).

O presidente da Ford aposta em recuperação da economia em 2020 e prevê crescimento das vendas de veículos entre 9% e 10%.

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