Ford fecha acordo para redução de salário e jornada

Oito dias após a deflagração da greve, operários da Ford em São Bernardo do Campo (SP) aprovaram o fim da paralisação durante assembleia na manhã de ontem, na porta da fábrica. De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, os funcionários já voltaram ao trabalho, depois de aceitarem acordo fechado entre a entidade e a montadora revogando a demissão dos 203 trabalhadores, prevista até então para 21 de setembro, e a adesão ao Programa de Proteção ao Emprego (PPE), do governo federal.

Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

19 Setembro 2015 | 02h03

O PPE começará a partir de janeiro de 2016, quando a Ford prevê reduzir o ritmo de produção em São Bernardo, e deve durar seis meses - prazo que poderá ser dobrado, caso necessário. Pelo acordo, a jornada de trabalho será reduzida em 20% na fábrica, com igual redução proporcional do salário pago pela montadora. Para os trabalhadores, contudo, a redução será de apenas 10%. A outra metade será bancada pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), com limite de até R$ 900,84. O montante que superar esse valor será complementado pela empresa.

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, a redução salarial não vai incidir sobre as férias, apenas sobre o 13º salário. Pelo acordo, trabalhadores também conseguiram a ampliação da estabilidade do emprego até agosto de 2017. Até então, o compromisso da empresa era de não poder demitir sumariamente, sem justa causa, até abril de 2017. Na negociação, também ficou acertada a abertura, entre os próximos dias 24 de setembro e 9 de outubro, de um novo Programa de Demissão Voluntária (PDV) para empregados horistas da fábrica.

A adesão ao PPE na Ford valerá para todos os empregados da fábrica e para os escritórios regionais de vendas. O acordo também prevê a prorrogação do lay-off (suspensão temporária dos contratos) de cerca de 100 trabalhadores que já estavam suspensos desde maio e a inclusão de mais 150 metalúrgicos, que terão os contratos suspensos a partir de janeiro de 2016, quando começa o PPE.

A Ford é a quarta grande montadora à aderir ao PPE. Na quinta-feira, a Volkswagen confirmou a adesão na fábrica de São Bernardo do Campo. Já tinham aderido a Mercedes-Benz em São Bernardo e a fabricante de máquinas agrícolas Caterpillar, em Piracicaba (SP).

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