WERTHER SANTANA/ESTADÃO
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‘Formal ou informal, há dificuldade’

Engenheiro iniciou negócio de lavagem de carro, mas desistiu por falta de demanda

Márcia de Chiara, Impresso

04 de dezembro de 2016 | 04h00

O engenheiro Peterson Meceguel Gonçalves Dias, de 37 anos, casado, com uma filha, tem enfrentado tempos difíceis desde que perdeu emprego em uma fábrica de autopeças, em Diadema, no ABC paulista, em junho de 2015. Como entende de carros, com a demissão ele decidiu se dedicar a algo afim. Com a mulher, ele começou a prestar serviços de lavagem a seco de carros.

“Eu comprava os produtos e prestava serviços: minha mulher limpava por dentro e eu por fora. Além disso, eu ia buscar e levar os carros na casa do cliente”, conta. Dias diz que, no início, conseguia tirar líquido R$ 1,3 mil por mês, o que lhe ajudava nas contas básicas – mas uma renda muito distante dos R$ 12 mil que obtinha quando estava empregado.

Mas o engenheiro decidiu encerrar o negócio em dezembro do ano passado. “Lavava quatro carros por dia, não tinha muita demanda, não. Ficava chamando as pessoas da família e amigos para deixar o carro limpo.”

Depois disso, tentou uma nova atividade. Como cursa a faculdade de educação física e joga tênis há 25 anos, em janeiro começou a prestar serviço informal de arbitragem de jogos de tênis. Tirava R$ 130 por dia. De janeiro a setembro fez cinco torneios e trabalhou cinco semanas. Agora, está sem trabalho de novo, porque não há torneios de tênis entre outubro e dezembro.

Paralelamente à arbitragem de jogos, o engenheiro começou a trabalhar no serviço de Uber em junho. Ele tira R$ 1,6 mil líquidos por mês. No Uber, observou que a demanda não caiu porque agora o serviço aceita pagamento em dinheiro. Isso ampliou a base de clientes, especialmente entre a população de menor renda. Mas o engenheiro pondera que tem mais gente prestando serviços de Uber também.

De toda forma, Dias constata que está difícil trabalhar na informalidade e que é preciso fazer algo muito valioso para que as pessoas continuem usando ou comprando. “Formal ou informal, a dificuldade para se manter em pé é a mesma.”/ M.C.

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