Formalização ameniza cortes, mas comprime salários

ANÁLISE: Rodrigo Leandro de Moura

O Estado de S.Paulo

29 Abril 2015 | 02h05

A deterioração atual do mercado de trabalho se assemelha àquela ocorrida na segunda metade dos anos 90. Como reflexo da piora da economia interna e das diversas crises internacionais, a taxa de desemprego cresceu rapidamente naquele período. Outro fator que contribuiu para essa rápida piora do emprego foi o baixo grau de formalização do mercado de trabalho, que contribuiu para que as empresas realizassem o ajuste de forma mais rápida e menos custosa ao desligar trabalhadores informais.

O cenário atual apresenta algumas diferenças. Como reflexo de mudanças estruturais ocorridas nos últimos 13 anos, a taxa de informalidade atingiu níveis historicamente baixos. Aliado a isso, o porcentual de trabalhadores com grande tempo de permanência no emprego corrente aumentou consideravelmente, como reflexo da expectativa (frustrada) das empresas de que a economia poderia ter se recuperado no ano passado, o que acabou postergando as demissões. Com isso, a conta para desligar trabalhadores se tornou alta, pois muitos são formais e a multa indenizatória do FGTS ficou elevada com a maior permanência no mesmo emprego e o maior salário real obtido nos últimos anos.

Apesar do aumento do desemprego, o ajuste via demissões está sendo menor do que deveria ser observado em um cenário recessivo. Ou seja, a taxa de desemprego deveria estar em um patamar mais elevado. Assim, as empresas se ajustam de outras formas. Uma delas é através do menor reajuste nominal do salário e substituição gradual de empregados de maior salário por aqueles de menor salário.

* Professor e pesquisador do Ibre/FGV

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.