Fornecedores de ração e produtores da Europa sofrem com custos

Fornecedores europeus de ração animal podem fazer apenas ajustes marginais para enfrentar a alta global dos preços dos grãos, com poucos substitutos à sua disposição, e estão repassando o aumento dos custos aos produtores.

IVANA SEKULARAC, Reuters

17 de agosto de 2012 | 10h22

À medida que os custos crescem mais rápido que os preços da carne, o aperto sobre os produtores pode ser tão severo que alguns podem ser forçados a abater seus rebanhos.

Os preços globais do milho e do trigo subiram cerca de 50 por cento e os da soja em 20 por cento nas seis semanas até o final de julho, enquanto as safras norte-americanas foram afetadas pelo clima quente e seco. Analistas dizem que as pressões sobre o preço estão agora passando para o trigo para ração, que pode subir mais rápido que o trigo para moagem.

"Os animais precisam de energia e eu não acho que os carboidratos que eles obtêm dos grãos podem ser substituídos com qualquer outra coisa. Eu não acho que podemos produzir plantas com o mesmo conteúdo de energia digestível que os grãos", disse Sam Millet, pesquisador do Belgium Institute for Agricultural and Fisheries Research (ILVO).

Na Espanha, grande produtor de carne suína, produtores estão particularmente vulneráveis pois a indústria de ração animal depende de importações.

"A situação é muito, muito, muito preocupante. Alguns dos grandes produtores serão capazes de enfrentá-la com o corte de produção para sustentar o aumento de preço, mas alguns dos pequenos produtores já chegaram a um ponto sem volta", disse Javier Alejandre, analista da União de Pequenos Agricultores e Pecuaristas da Espanha.

Os grãos normalmente somam mais de 50 por cento das fórmulas de ração animal para suínos, aves e gado, e a proteína vinda de oleaginosas como colza e soja fornecem outros 25 por cento. O resto consiste em minerais e aditivos.

(Reportagem adicional de Sarah McFarlane em Londres, Nigel Davies em Madri e Valeria Parent e François Charlottin em Paris)

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