Fornecimento de material é desafio no pré-sal, diz Gabrielli

Para presidente da Petrobras, produtores de aço, construtores de navios e de gasodutos podem ter problemas

Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo,

03 de julho de 2008 | 11h17

A Petrobras alerta que o mundo terá de se acostumar a conviver com um preço alto do petróleo e que há uma falta de materiais para a exploração do combustível, de limitações na mão-de-obra e de uma explosão na demanda. O presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, adverte que os custos de produção explodiram nos últimos meses e que a pressão inflacionária continuará sendo sentida no setor. "Produtores de aço, construtores de navios e de gasodutos podem ter problemas para atender a demanda", disse Gabrielli. Veja também:Veja a história e os números da Petrobras A exploração de petróleo no BrasilA maior jazida de petróleo do País Segundo ele, há uma falta de aço e de outros componentes no mercado que estão fazendo com que os preços desses materiais aumentem. O resultado é o encarecimento da produção e a manutenção dos preços altos do petróleo. "Precisamos repensar a relação entre os produtores e os canais de distribuição", disse. "Para incrementar a produção a partir de agora os custos serão maiores. Cada barril extra hoje custará mais para produzir do que um barril explorado no passado. Isso é um sinal de que, para o futuro, não devemos esperar uma queda dramática no preço internacional, pois os custos vão aumentar", afirmou. No caso do Brasil, Gabrielli alerta que os investimentos para a zona do pré-sal serão "enormes". "Sabemos que temos muito petróleo a ser desenvolvido. Mas precisamos de muita infra-estrutura para tudo isso e de um novo modelo de produção. Vamos precisar, por exemplo, de 72 novos tanques e 146 barcos. Uma das limitações será mesmo o incremento no custo desses projetos", apontou o presidente da Petrobras, apontando para a alta nos preços de aço e outros fatores de produção. "Esta é a realidade que temos que enfrentar. Mas ao mesmo tempo, o futuro nos exige que coloquemos investimentos em novas infra-estruturas para ter acesso a novas reservas", afirmou. Ainda assim, o presidente da companhia, Sérgio Gabrielli, garante que a exploração de petróleo no campo de Tupi seria economicamente viável mesmo se o barril despencar nos próximos anos.  "Tupi é viável mesmo com um preço do petróleo a um terço do que está hoje", afirmou o executivo, que ontem concluiu sua participação no Congresso Mundial de Petróleo, que ocorreu nesta semana em Madri. Nos últimos dias, o barril esteve cotado a mais de US$ 142,00.  Quanto ao preço internacional do barril, Gabrielli alerta que o problema também tem relação com a demanda e oferta. "Nos últimos dois anos tivemos um mercado apertado, com a demanda crescendo mais do que a oferta", afirmou. Mas admite que, no curto prazo, a especulação também está tendo um impacto. Etanol Gabrielli, porém, destacou que a alta nos preços do petróleo abre a possibilidade para uma expansão do etanol. "Os biocombustíveis não vão substituir a gasolina. Mas podem ter um papel relevante. O Brasil é o exemplo de que se pode expandir a produção de etanol e de alimentos ao mesmo tempo", disse.  Ele questionou, porém, a viabilidade do etanol de milho, que acabaria custando mais que extrair petróleo do Ártico. Impacto Gabrielli ainda admite que está "preocupado" com a possibilidade de o Brasil sofrer a "doença holandesa" diante da descoberta de enormes reservas de petróleo. Ele acredita, porém, que a diversificação da economia brasileira impedirá que os impactos negativos desse fenômeno se proliferem. O conceito se refere ao impacto que grandes descobertas podem ter em uma economia. A teoria aponta para possível desindustrialização dos países onde se encontra petróleo e a valorização exagerada da moeda local. Como conseqüência, o setor manufatureiro sofreria para exportar e poderia entrar em crise.  O termo foi criado nos anos 70 para explicar a queda no setor industrial holandês depois da descoberta de gás natural no país. "Estamos conscientes disso e há a preocupação", afirmou. "Mas acreditamos que a economia brasileira é bem mais ampla que o setor do petróleo e que até mesmo o sistema tributário não depende do setor", disse.

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