Forte concorrência faz GM antecipar investimentos no País

Nova presidente diz que meta não é fazer da empresa a número um em vendas no Brasil, mas a ''melhor''

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2011 | 00h00

A forte concorrência no mercado automotivo brasileiro, principalmente com a chegada das fabricantes asiáticas Chery e Hyundai, levou a General Motors a antecipar seus planos de investimentos no País. O atual, de R$ 5 bilhões, termina em dezembro de 2012, mas a empresa já trabalha com a matriz na liberação de um novo programa para os três a cinco anos seguintes.

Ainda resta R$ 1 bilhão do programa em andamento, a ser gasto no próximo ano. "Já começamos a trabalhar na aprovação de um novo plano", disse ontem a nova presidente da GM do Brasil, Grace Lieblein, no cargo desde 1.º de junho. Ela não quis antecipar valores, mas informou que o novo aporte será usado no desenvolvimento de novos produtos, tecnologias e expansão das fábricas do grupo.

O presidente da GM para a América do Sul, Jaime Ardila, acrescentou que, "para ser competitivo no Brasil, será preciso investir muito". Sobre a chegada de novos concorrentes foi direto: "Eu quero vê-los aqui, produzindo aqui, enfrentando as mesmas dificuldades; aí vamos saber quem é competitivo". No ano passado, a GM tinha 20% do mercado brasileiro, participação que está em 18,5% este ano.

Ardila disse que, até o fim deste ano, o grupo deverá anunciar pelo menos parte do novo programa. O plano quinquenal de investimento, iniciado em 2008, previa a renovação da gama de produtos da marca, a construção da fábrica de motores em Santa Catarina e ampliação da capacidade produtiva das quatro unidades de veículos e autopeças. Ainda faltam nove lançamentos, dos quais seis em 2012 e três neste ano - o Cruze, substituto do Vectra, será produzido na fábrica de São Caetano do Sul (SP) a partir de setembro.

O novo aporte virá de recursos gerados internamente, informou Ardila. Parte será direcionada ao centro de desenvolvimento da empresa, que vai focar a atuação em produtos para os mercados emergentes. Ontem, a GM mostrou dois veículos conceito - que servirão de base para lançamentos futuros: o sedã Cobalt (do segmento do Astra) e a picape média Colorado. "São produtos globais totalmente desenvolvidos no Brasil e exemplos do que se pode esperar de produtos futuros", disse Grace.

As cinco prioridades em sua gestão, segundo Grace, serão a melhoria da qualidade dos produtos da marca, buscar maior competitividade, garantir a satisfação do cliente, desenvolver novos talentos no quadro de funcionários e assegurar uma linha de veículos completa.

A executiva citou ainda não ter o objetivo de fazer da General Motors a número um em vendas no Brasil, mas a "melhor".

Mercado. Ardila afirmou não estar satisfeito com os resultados da indústria brasileira, que no primeiro semestre registrou aumento de 10% nas vendas em relação a igual período de 2010.

"Esse crescimento está sendo estimulado pelas vendas especiais (para frotistas e locadoras), pois o varejo está parado", desabafou. "Se, com as medidas de contenção de crédito, o governo estava tentando frear o consumo, no caso da indústria automobilística está garantido." Esse tipo de venda, segundo ele, não é sustentável. As vendas especiais representam hoje 27% dos negócios da indústria, quando o razoável, disse, é entre 20% e 22%.

Apesar disso, ele mantém projeções de vendas totais de 3,7 milhões de veículos, 5% a mais que no ano passado. De acordo com Ardila, as vendas de veículos na América do Sul cresceram 16% na primeira metade do ano, para cerca de 2,7 milhões de unidades, resultado que o surpreendeu. A região, disse ele, deve ser a área a registrar maior crescimento neste ano.

"A China está crescendo mais devagar, a Europa está em dificuldades e a América do Sul deve ser a estrela", disse o executivo, citando Colômbia, Chile e Argentina como destaques em vendas.

Ardila também reclamou da falta de competitividade do Brasil, em razão do real valorizado e dos altos salários dos funcionários. Em unidades, as exportações do grupo estão empatadas com as importações.

A GM, no entanto, se destaca na exportação de serviços de engenharia, que já respondem por 40% do faturamento com o comércio exterior. Até agora, foram vendidos o equivalente a US$ 500 milhões em serviços como desenvolvimento da arquitetura de novos veículos e assessoria sobre motores flex, ante US$ 300 milhões em 2010.

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