Fórum de Davos tem acordo para destravar Rodada Doha

Ministros de comércio alertaram que medidas protecionistas para salvar empregos agravariam a crise

JONATHAN LYNN, REUTERS

31 de janeiro de 2009 | 15h15

Ministros do Comércio de duas dezenas de países se comprometeram neste sábado, 31, último dia do Fórum Econômico Mundial a superar este ano suas diferenças na Rodada Doha de negociações comerciais. Em uma declaração, distribuída depois que os ministros se reuniram paralelamente ao encontro de Davos, eles também prometeram evitar a criação de novas barreiras comerciais. Veja também Crédito está voltando ao normal no Brasil, diz Meirelles Polícia usa gás para dispersar protesto em Genebra De olho nos sintomas da crise econômica  Dicionário da crise  Lições de 29 Como o mundo reage à crise Antes das conversas, políticos alertaram que medidas para bloquear importações em um esforço para salvar empregos agravaria a crise, como ocorreu na Grande Depressão dos anos 1930. A ministra da Economia suíça, Doris Leuthard, disse que os ministros poderiam se reunir para tratar de Doha antes da cúpula do G20 de líderes mundiais em 2 de abril, que quer definir ações claras para enfrentar a crise financeira e econômica global. "Temos que construir um melhor entendimento para o comércio em casa. A abertura dos mercados é o melhor que podemos fazer para enfrentar a crise", disse ela. "A Rodada de Doha é uma das soluções", disse o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, ao entrar para o encontro. "É um importante sinal que os governos podem dar." Olho por olhoO representantante de Comércio dos Estados Unidos, Peter Allgeier, disse que Washington está trabalhando para assegurar que qualquer pacote de estímulo econômico para a economia esteja em linha com regras internacionais de comércio. Muitos ministros expressaram preocupação de que a provisão "Buy America" no projeto de estímulo de 825 bilhões de dólares aprovado pela Câmara dos Deputados poderá travar as importações de outros países fora do mercado dos EUA e fomentar o protecionismo. Muitos temem quem as regras irão promover uma onda de medidas "olho por olho", exatamente como aconteceu nos anos 1930. "Nós estamos trabalhando com o Congresso, com a Casa Branca, para certificar que o que quer que façamos em resposta à crise econômica é consistente com nossas obrigações", Allgeier disse à Reuters após a reunião. A obscura situação econômica e medidas econômicas já postas em prática em diversas potências econômicas, entretanto, mostram um difícil cenário. A União Européia impôs neste sábado taxas de importação de até 85 por cento em parafusos e pinos da China, uma ação que deve desencadear ação de retaliação por parte de Pequim na Organização Mundial do Comércio (OMC). Grandes potências como Estados Unidos, China e Alemanha tiveram queda nas exportações no final do ano passado, e o transporte de produtos por via aérea caiu até um quinto em dezembro. Questão polêmicaEm uma conferência em novembro para tratar da crise econômica, líderes dos 20 países com as maiores economias do mundo concordaram em pressionar por uma resolução nas negociações de Doha, iniciadas sete anos antes, até o final de 2008, além de não levantar novas barreiras ao comércio. Entretanto, o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, decidiu posteriormente que as diferenças ainda eram muito grandes para chamar os ministros para uma decisão final, apesar do progresso de diversas questões polêmicas no setor industrial e agrícola ao longo do ano. A reunião do G20 foi seguida rapidamente por aumentos de tarifas sobre o aço por parte da Índia e sobre carros por parte da Rússia, que não é membro da OMC. Ministros esperam que a próxima reunião do G20, que deve ser realizada na Grã-Bretanha, irá renovar a pressão por um acordo e um compromisso à liberação do comércio.

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