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Fórum defende normatização técnica para agronegócio

O Brasil lidera as exportações mundiais do agronegócio mas perde para seus concorrentes na questão das normas técnicas que regulam os processos produtivos do setor. Esta foi uma das constatações apresentadas hoje durante o décimo fórum promovido pela Associação Brasileira de Agribusiness (Abag), que neste ano teve como tema "Certificação do Agronegócio".Eugenio Guilherme Tolstoy De Simone, diretor de Normatização da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e um dos palestrantes do evento, citou como exemplo o Vietnã, que não tem a tradição do Brasil no setor cafeeiro mas dispõe de 60 normas técnicas sobre o produto café. O Brasil dispõe de apenas duas normas técnicas relativas ao café, enquanto a Colômbia tem 31 e a França, 32. Em sua palestra, De Simone destacou a importância do estabelecimento de normas técnicas nos países exportadores para competir no mercado internacional. No caso do Vietnã, diz ele, o objetivo é atender aos requisitos do mercado alemão, principal importador do café robusta vietnamita.Na opinião do especialista, o Brasil precisa também estar atento à questão da normatização no mercado internacional, como no caso do álcool e do biodiesel. Ele lembrou que, para os produtores norte-americanos de milho, por exemplo, pode não ser interessante a criação de normas internacionais para o álcool, em função dos subsídios que recebem do governo. InmetroO diretor de Qualidade do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), Alfredo Lobo, afirmou que, hoje, 30% a 40% dos programas que analisados pela instituição devem-se à demanda do setor exportador. No agronegócio, o Inmetro já estabeleceu normas aceitas internacionalmente para o manejo florestal, produção de frutas e fabricação de cachaça. Atualmente, existem 13 marcas de cachaça que recebem a certificação do Inmetro e outras 33 estão em estado de certificação.Lobo alertou para os riscos de os exportadores aceitarem as normas impostas pelo setor privado importador, como é o caso da Euro Retailer Produce - Good Agricultural Practices (Eurepgap), entidade criada pelos varejistas europeus para conceder um passaporte na importação de produtos. Ele explicou que o governo brasileiro tentou, sem sucesso, negociar com a entidade um acordo de equivalência de normas. "Os custos aumentam para o produtor rural, caso tenha que atender a diferentes normas de entidades privadas", informou ele.Questão culturalO presidente da Abag, Carlo Lovatelli, disse que a ausência de normas nas diversas cadeias do agronegócio é preocupante. Ele atribuiu essa defasagem à questão cultural. A entidade está acompanhando os programas de normatização do álcool e do biodiesel, dois produtos alvos de campanhas no exterior por conta da possível ameaça ao meio ambiente.Lovatelli afirmou que, na semana passada, realizou o road show em diversos países da Europa e constatou "a desinformação ou informação distorcida" sobre ameaças da soja e da cana-de-açúcar à Floresta Amazônica. "Ouvimos frases até patéticas sobre o meio ambiente brasileiro", diz ele. "Mas parlamentares, autoridades governamentais e compradores europeus ressaltaram a necessidade da certificação", disse ele.

VENILSON FERREIRA, Agencia Estado

17 de outubro de 2007 | 16h34

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