Fórum discute acesso a mercado e liberalização comercial

O debate sobre acesso aos mercados e a liberalização do comércio internacional dominou o dia no Fórum Econômico Mundial, que está sendo realizado em Nova York. Num dos primeiros painéis do dia, o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Horst Kohler, fez duras críticas ao que chamou de postura excessivamente protecionista dos países desenvolvidos."As sociedades mais ricas são bastante egoístas para fazer concessões e abrir mão de seus privilégios. É preciso mudar essa atitude", alertou Kohler. Para ele, os países industrializados precisam agir com maior rapidez para acabar com suas políticas de subsídios, especialmente nas áreas agrícola e têxtil.No painel "Depois de Doha: Agora vem a parte mais difícil", o ministro da Agricultura do Brasil, Marcus Vinícius Pratini de Moraes, propôs uma separação entre o apoio interno dos governos desenvolvidos aos agricultores e a questão de mercado."Em outras palavras, é preciso criar um período de transição nos países que dão subsídios para que esses subsídios sejam dados como se fosse uma espécie de imposto de renda negativo ou de um tipo de melhoria de renda aos agricultores, mas que não tenham efeitos sobre a produção", argumentou Pratini."Ou seja, é preciso mudar o regime de subsídio para que não incentive a uma produção maior, porém mantenha a renda dos produtores." Essa seria, para Pratini, a forma de combater distorções no mercado internacional.O ministro brasileiro disse que houve um boa aceitação de sua proposta durante o debate, no qual estava presente o representante comercial dos Estados Unidos, Robert Zoellick, e o diretor-geral da Organização Mundial de Comércio (OMC), Mike Moore.Nas discussões, Pratini afirmou que os participantes mostraram-se contentes com os resultados da última rodada de comércio realizada em Doha, no Catar, e que os efeitos do que foi acertado naquele evento terão impacto positivo para as discussões na Conferência do Desenvolvimento, que será realizada em março próximo em Monterrey, no México. Houve consenso, nos debates deste sábado, de que os países desenvolvidos precisam acelerar o término dos subsídios a exportações e apoio interno aos produtores, que provocam distorções e queda dos preços nos mercados internacionais.

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