Fórum é marcado por tom de otimismo cauteloso e incertezas

Encontro para discutir a economia mundial reúne líderes globais e maiores economistas da atualidade

Fernando Dantas, O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2011 | 00h00

Num clima de cauteloso otimismo, mais muita incerteza, o Fórum Econômico Mundial começa hoje em Davos, reunindo 2.500 participantes, entre os quais inúmeros presidentes de grandes empresas globais e muitos chefes de governo. O presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, ameaçou cancelar sua participação na sessão de abertura, mas acabou confirmando. O motivo da vacilação foi o atentado no metrô de Moscou na segunda-feira, que matou 35 pessoas.

O tema oficial do Fórum Econômico Mundial este ano é "Normas Compartilhadas para uma Nova Realidade", ou a tentativa de buscar consenso para combater os grandes problemas globais num mundo cada vez mais multipolar e com um número crescente de atores importantes, entre os quais os países emergentes, como Brasil, China e Índia. Em Davos, porém, os assuntos mais quentes surgem espontaneamente das discussões, e, neste encontro, alguns candidatos são os riscos à retomada global, como a alta inflacionária das commodities e o problema na Europa; o poder crescente da Ásia; e as tensões sociais provocadas pelo aumento da desigualdade, num momento em que o mundo rico passa por uma recuperação sem emprego.

Como de hábito, a programação do Fórum está repleta de chefes de governo: Medvedev; Nicolas Sarkozy, presidente da França; David Cameron, primeiro-ministro do Reino Unido; Angela Merkel, primeira-ministra da Alemanha; George Papandreou, primeiro-ministro da Grécia; Naoto Kan, primeiro-ministro do Japão; Juan Manuel Santos, presidente da Colômbia; Felipe Calderón, presidente do México; Jacob Zuma, presidente da África do Sul; e Morgan Tsvangira, primeiro-ministro do Zimbábue. Participarão ainda os chefes de governo da Finlândia, Indonésia, Senegal, Etiópia, Tanzânia, Quênia, Panamá e Noruega.

Na área econômica, o Fórum reúne as estrelas habituais, como Nouriel Roubini, da New York University, Raghuram Rajan, da Universidade de Chicago, Jeffrey Sachs, da Universidade Colúmbia, Kenneth Rogoff, de Harvard, o Prêmio Nobel Joseph Stiglitz, Robert Shiller, de Yale, e o investidor George Soros.

Brasileiros. A delegação do governo brasileiro é composta pelo ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota; o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini; o presidente da Petrobrás, José Gabrielli; e Luciano Coutinho, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Os organizadores do Fórum tinham certa esperança de atrair a presidente Dilma Rousseff, para repetir, de certa forma, a vinda de Luiz Inácio Lula da Silva ao encontro de 2003, com menos de um mês de mandato. Agora, o Fórum não poupará esforços para que Dilma compareça ao encontro regional da América Latina, no Rio de Janeiro, de 27 a 29 de abril.

Na área empresarial, algumas das estrelas do Fórum são frequentadores habituais, como Bill Gates, hoje mais dedicado à sua obra filantrópica do que à Microsoft; Carlos Ghosn, chairman e principal executivo da Renault-Nissan; e John Chambers, chairman e principal executivo da Cisco.

PROGRAMAÇÃO BRASILEIRA

Amanhã

Chanceler Antonio Patriota participa de debate sobre a AL

Dia 28

(1) Alexandre Tombini, presidente do BC, participa de painel sobre a administração dos fluxos globais de capital. (2) O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, estará em debate sobre financiamento ao desenvolvimento. (3) José Sergio Gabrielli, presidente da Petrobrás, participa de painel sobre o futuro da iniciativa privada

Dia 29

Brasil é tema de um painel com a presença de Tombini, Coutinho, do BNDES, e o presidente da Embraer, Frederico Curado.

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