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Fotoptica é vendida ao Grupo Hal, da Holanda

Com 2 mil óticas na Europa, Hal fecha a segunda grande compra no Brasil

Patrícia Cançado, O Estadao de S.Paulo

30 de outubro de 2007 | 00h00

O Pátria Investimentos, dono da Casa do Pão de Queijo e do laboratório Delboni Auriemo, vendeu 100% da sua participação na rede de óticas Fotoptica ao grupo holandês Hal. A Fotoptica tem 29 lojas próprias e 39 franqueadas em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Santa Catarina e fatura cerca de R$ 60 milhões por ano. O valor da operação, fechada na semana passada, não foi divulgado.Essa é a segunda aquisição dos holandeses no Brasil em dois meses. Em setembro, eles compraram a rede Fábrica de Óculos, com 29 lojas próprias na Bahia e Sergipe e faturamento de aproximadamente R$ 40 milhões. A julgar pelos seus últimos movimentos, o grupo pretende repetir no Brasil a experiência vivida na Europa. Lá, o Hal tem uma rede com mais de 2 mil óticas. "Esse mercado é promissor no Brasil. Não existe nenhum grande líder, nenhuma rede nacional. São mercados desse tipo que estão atraindo a atenção de multinacionais", afirma Marcelo Cherto, presidente do Grupo Cherto e especialista em franquias. "Não tenho dúvida de que os holandeses vão expandir, vão comprar outras redes."A Óticas Carol, criada em Sorocaba (interior de São Paulo) há exatos dez anos, é um alvo em potencial. A rede já tem 208 unidades, quase todas franquias, e deve faturar mais de R$ 100 milhões neste ano. É um fenômeno de crescimento nesse mercado. Um dos fundadores, Odilon Santana, foi procurado recentemente pelos executivos do grupo holandês. "Houve um contato, mas não entramos em negociação. Nós não queremos vender. A Carol tem um resultado bom, cresce rápido por ser franquia", diz Santana. "O Brasil ainda é um mercado muito fragmentado. Tem 20 mil óticas e movimenta entre R$ 7 bilhões e R$ 8 bilhões por ano."NOVOS RUMOSQuando comprou a Fotoptica, há dez anos, o objetivo do Pátria era fazer aquisições e expandir a rede. Mas o investimento não se mostrou tão bom quanto os banqueiros imaginavam no começo. "O Pátria tentou, mas perdeu interesse quando comprou a rede de óticas Iguatemi. Não foi uma boa compra", diz uma fonte ligada ao Pátria. "É compreensível. Por que perder tempo com um negócio relativamente pequeno se podiam ganhar dinheiro com outros, como o Dasa (Diagnósticos da América, dono da rede de laboratórios Delboni Auriemo)?"O Pátria é um dos pioneiros em private equity no Brasil. Ele fez seu primeiro investimento em 1994, quando ficou sócio da rede de farmácias Drogasil. Nem todos os negócios foram bem-sucedidos, mas as perdas foram mais que compensadas por ganhos extraordinários em outros negócios. Na Dasa, ganharam dez vezes o valor investido (em dólar) em cinco anos.O fundo do Pátria que investiu na Fotoptica em 1997 tinha um ciclo de dez anos, prorrogável por mais dois. Editora Camelot (vendida para a Editora Peixes), Casa Cor, Casa do Pão Queijo e Dasa fazem parte do portfólio desse mesmo fundo, de US$ 250 milhões e feito para empresas voltadas ao consumidor final. A Casa do Pão de Queijo tem mais de 400 unidades no País. Há sete anos, eram 250. O Pátria, hoje, assumiu um outro patamar. Bem mais ambicioso. Ele está captando um fundo de US$ 600 milhões (a maior parte vinda no exterior) para investir em empresas de porte médio das áreas de logísticas para o agronegócio, saúde e educação. Também acabou de levantar US$ 255 milhões para constituir um fundo de infra-estrutura, que tem entre os seus cotistas o empresário Osmar Zogbi, ex-dono da Ripasa. "Há dois ou três anos, tínhamos de correr atrás dos investidores. Agora, são eles que batem na nossa porta. O momento econômico é favorável e temos um histórico de investimento", diz Octávio Castello Branco, sócio do Pátria desde 2003. O fundo de infra-estrutura é dono da Ersa, empresa de geração de energia elétrica a partir de fontes limpas. Ela foi criada do zero no fim do ano passado e é administrada pelo Pátria. Entre os primeiros e os últimos investimentos, o Pátria criou um fundo de educação - com o qual adquiriu a rede de faculdades Anhangüera Educacional - e outro voltado a empresas de terceirização.

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