Fox será a novidade da Cúpula do Mercosul

A uma semana da reunião de cúpula, em Buenos Aires, os países do Mercosul (Brasil, Argentina Paraguai e Uruguai) praticamente nada têm a definir e, muito menos, a anunciar, tanto na área comercial como na tão sonhada harmonização macroeconômica. Além de um eventual acordo para a indústria automobilística, que vem patinando há mais de sete anos, com idas e vindas, os presidentes dos quatro países e os de seus associados, Bolívia e Chile, devem concentrar as suas discussões, nos dias 4 e 5 de julho, na crise argentina e o contágio à região.A única novidade no encontro de cúpula de Buenos Aires será a presença do presidente do México, Vicente Fox, que já vem sendo cogitado principalmente pelos argentinos como eventual "interlocutor" dos países do bloco para interceder junto ao governo norte-americano, que tem se mostrado indiferente aos problemas econômicos e sociais da região. O México é um dos principais parceiros comerciais dos Estado Unidos e, junto com o Canadá, faz parte do Nafta (Acordo de Livre Comércio da América do Norte).Em entrevista à CNN, Fox disse hoje que gostaria "contagiar" a economia argentina das "coisas positivas que ocorrem no México". O presidente mexicano descartou qualquer semelhança entre a Argentina e o México. "A situação é totalmente diferente. Nossas economias têm sido claramente diferenciadas pelos mercados e investidores", disse.O presidente mexicano acrescentou ainda que o México vive hoje um momento de "grande estabilidade" e já se transformou na 9ª economia do mundo em tamanho, e na 7ª em comércio, razão pela qual não existem motivos para afirmar que a atual crise na América Latina estaria afetando o país. Ao contrário, acrescentou Fox, "queremos apoiar o Brasil e a Argentina para que consigam atingir seus objetivos e cheguem a um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), e, com isso, possam, principalmente a Argentina, recuperar a sua posição". Fox citou o Brasil provavelmente sem saber que o governo brasileiro obteve recentemente apoio do Fundo e recebeu cerca de US$ 10 bilhões, recursos aos quais tinha direito depois de uma revisão de suas metas em setembro do ano passado.No início desta semana, porém, o secretário (status de ministro) mexicano da Fazenda, Francisco Gil, comparou a situação fiscal México com a existente na Argentina pouco antes de estourar a crise, que levou o país a abandonar a conversibilidade, desvalorizar a sua moeda, confiscar depósitos e, finalmente, pedir moratória de sua dívida.Fox negou essa semelhança e, horas depois, o seu ministro foi obrigado a esclarecer que, embora o México precise de uma profunda reforma fiscal para engordar o ingresso público, o país conta com bases sólidas para enfrentar crises como a da Argentina. Fox visitará, entre os dias 2 e 5 de julho, o Brasil, Argentina e Uruguai, com o objetivo de acelerar acordos comerciais com o Mercosul o com os três países individualmente. O presidente mexicano disse à CNN que irá à Argentina mostrar a solidariedade do povo mexicano.

Agencia Estado,

28 de junho de 2002 | 16h17

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