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Foxconn corre para cortar horas de trabalho

Fabricante de produtos eletrônicos tem prazo até julho para cumprir o acordo fechado com a Apple de melhorar as condições trabalhistas

BLOOMBERG NEWS, PEQUIM , O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2013 | 02h06

O Foxconn Technology Group enfrenta uma tarefa desafiadora de tentar cumprir um prazo no mês de julho para reduzir as jornadas de trabalho e melhorar a participação sindical, segundo um inspetor trabalhista indicado pela Apple, sua maior cliente. A montadora de iPhones e iPads resolveu 98% das 360 questões levantadas pela Fair Labor Association (FLA), baseada em Washington, informou a organização em relatório. A companhia melhorou as condições de segurança.

As inspeções das fábricas da companhia baseadas em Taipé começaram no ano passado depois que o diretor-presidente da Apple, Tim Cook, ingressou na FLA após os suicídios de pelo menos dez empregados da Foxconn em 2010. A Foxconn, maior fabricante de eletrônicos por contrato do mundo, mais que dobrou os salários após protestos de grupos de trabalhadores sobre as condições vigentes numa cadeia de suprimentos que inclui Microsoft e Sony.

"Eles fizeram muitos progressos, mas ainda têm muita coisa para fazer", disse Auret Van Heerden, CEO da Fair Labor Association. "Estamos enfrentando os dois itens de ação mais complicados: jornada de trabalho e democracia sindical."

A escassez de mão de obra dificulta uma solução completa dos problemas, disse Van Heerden. Sem empregados suficientes para montar produtos eletrônicos, a Foxconn precisa se apoiar nas horas extras de funcionários para fazer o serviço, em especial porque o ciclo de produção da Apple é sazonal e fica mais movimentado perto dos lançamentos de produtos, disse ele. Além disso, muitos trabalhadores chineses só permanecem no emprego por cerca de um ano, o que diminui seu interesse em se envolver no processo sindical, acrescentou.

Nos próximos meses, a FLA realizará inspeções adicionais em outras fábricas em que produtos Apple são feitos. A Samsung Electronics, que produz semicondutores para a Apple, não está na lista a ser auditada.

A Foxconn, cuja fábrica principal é a Hon Hai Precision Industry, reduziu a jornada de trabalho a um máximo de 60 horas semanais para cumprir com os padrões da Apple, segundo a FLA. Ela está comprometida em atingir o limite legal da China de 40 horas semanais mais uma média de 9 horas extras até julho de 2013. "Estamos trabalhando muito duro para tentar cumprir esse compromisso, mas será difícil", disse Louis Woo, porta-voz do Foxconn. /TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

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