Foxconn vai investir R$ 1 bi em SP para fabricar componente para iPad e iPhone

Tecnologia. Fabricante taiwanesa assina amanhã protocolo de intenções para a instalação de um complexo no município de Itu para a produção de materiais usados na montagem de tablets e smartphones; início da operação está previsto para 2014

WLADIMIR DANDRADE, O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2012 | 03h09

A empresa taiwanesa Foxconn vai abrir uma nova unidade industrial no Estado de São Paulo no ano que vem. Desta vez, o investimento ocorrerá no município de Itu. A companhia deve investir R$ 1 bilhão na fabricação de componentes para tablets, smartphones e outros produtos eletrônicos.

Amanhã, o presidente da Foxconn no Brasil, Henry Cheng, e o presidente da agência Investe São Paulo, Luciano Almeida, vão assinar um protocolo de intenções no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, com a presença do governador Geraldo Alckmin.

A previsão é que a nova unidade crie cerca de 10 mil empregos diretos. No parque industrial, haverá até cinco fábricas, que vão produzir cabos, câmeras, telas sensíveis ao toque, LED, placas PCB (placa de circuitos) e outros componentes utilizados na montagem dos eletrônicos.

Com esse investimento, praticamente toda a cadeia de fabricação de iPads e iPhones, da Apple, estará em território nacional, com exceção de displays TFT - tecnologia para melhorar a qualidade da imagem que demanda investimentos robustos para ser produzida. "Este não é o momento para uma planta de TFT vir para o Brasil, mas essa será a única parte da cadeia que vai faltar", disse à Agência Estado o presidente da Investe São Paulo, Luciano Almeida.

A Foxconn tem uma unidade em Jundiaí (SP), onde monta os produtos da Apple. Além dessa planta, tem outras quatro unidades no Estado de São Paulo e três em outros Estados.

O plano da Foxconn é que o início da produção em Itu ocorra em 2014, atingindo capacidade plena em 2016. A empresa adquiriu um terreno de 1 milhão de metros quadrados às margens da SP-308, a chamada Rodovia do Açúcar.

Incentivo. De acordo com Almeida, a empresa taiwanesa não terá benefícios fiscais especiais do governo paulista para montar o complexo em Itu, apenas os incentivos já previstos em lei estadual que instituiu o Programa de Incentivo ao Investimento pelo Fabricante de Produtos da Indústria de Processamento Eletrônico de Dados (Pro-Informática), entre eles a utilização de crédito de Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na compra de bens e mercadorias de investimentos.

"Em São Paulo, as empresas encontram, além de um mercado consumidor pujante, a melhor infraestrutura logística do País e ampla oferta de mão de obra qualificada", afirmou o governador Geraldo Alckmin, por meio de sua assessoria de imprensa. A empresa terá de obter o licenciamento ambiental para o local da construção.

Almeida conta que, por meio da agência de atração de investimentos para o Estado, vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, o governo paulista fará intermediação entre a empresa, a prefeitura local e as concessionárias para a criação da infraestrutura do parque industrial - iluminação pública, rede de água e esgoto, vias de acesso, entre outros. O governo estadual também vai oferecer parcerias com institutos e órgãos de formação de mão de obra especializada, como o Centro Paula Souza.

O presidente da Investe São Paulo explica que a intenção do governo é formar em Itu um polo tecnológico. A empresa fabricante de computadores pessoais Lenovo, da China, já anunciou a construção de uma fábrica no município. A cidade de Itu está localizada a 100 quilômetros da capital paulista. "A tendência é que outras empresas se instalem no local por causa da infraestrutura da região", diz.

Ele destaca, também, a transferência de tecnologia, com a instalação de fábricas de ponta no polo. "As fábricas são muito dinâmicas, por isso a transferência de tecnologia ocorrerá naturalmente, à medida que as unidades se adaptam aos produtos."

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