Fracassa a tentativa de conciliação entre Odebrecht e Gradin

Famílias disputam 20,6% das ações do Grupo Odebrecht hoje pertencentes à Graal Participações Ltda., da família Gradin

Tiago Décimo, O Estado de S. Paulo,

31 de julho de 2012 | 17h59

SALVADOR - A disputa judicial entre as famílias Odebrecht e Gradin pelos 20,6% das ações do Grupo Odebrecht hoje pertencentes à Graal Participações Ltda., da família Gradin, que se arrasta desde dezembro de 2010, teve nesta terça-feira, 31, a primeira audiência de conciliação, em Salvador. As partes, porém, não chegaram a um acordo.

A batalha é apontada como a maior disputa societária em curso no País. Os Gradin, autores da ação, lutam para permanecer no quadro de sócios do grupo, enquanto a Kieppe Participações e Administração Ltda., da família Odebrecht, tenta exercer o suposto direito de recompra das ações, que estaria previsto no contrato firmado entre as partes.

Conduzida pela juíza Maria de Lourdes Oliveira de Araujo, da 10ª Vara Cível e Comercial de Salvador, a reunião durou pouco mais de quatro horas, nas quais foi tentada a conciliação e, em seguida, foram apresentadas as justificativas das duas partes. A juíza, agora, deve determinar de que forma a disputa será conduzida, se por meio de arbitragem, como querem os Gradin, ou se por ação judicial comum, como preferem os Odebrecht. A audiência foi agendada para o próximo dia 23.

A decisão não pôde ser tomada hoje porque a Kieppe arrolou três testemunhas para depor no caso e apenas uma delas compareceu ao fórum. "Não há necessidade de testemunhas para o caso, que é relativo a análise do contrato", reclama o advogado da Graal, Caio Druso. "Foi mais uma medida protelatória tomada pela Kieppe para adiar o julgamento do caso, mas não apresentamos objeção, para que mais tarde não seja alegada tentativa de prejudicar a defesa."

Os advogados da Kieppe negam a intenção de prorrogar a disputa judicial. "Também temos interesse na rapidez do julgamento, tanto que nos comprometemos com a juíza a trazer as testemunhas, de onde quer que elas estejam, ao fórum, na data estipulada", alega o defensor dos Odebrecht, Francisco Bastos.

Por outro lado, a Kieppe espera um posicionamento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre um recurso especial interposto pelos advogados, que pede a extinção do processo proposto pela Graal. O recurso foi admitido pelo STJ e está sob apreciação do colegiado da 3ª Turma do órgão.

Os executivos da Graal não acreditam na interferência do STJ no julgamento da questão. "Estamos confiantes que a realização da audiência é o primeiro passo para que a arbitragem contratada seja instaurada", disse Bernardo Gradin, que compareceu à audiência.

A reunião realizada hoje havia sido originalmente agendada para 23 de fevereiro do ano passado, mas foi adiada diversas vezes por causa de recursos feitos pelos advogados da Kieppe.

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