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Fracassa acordo entre Israel e Mercosul

Ritmo de corte de tarifas de importação é o maior empecilho

Jamil Chade, GENEBRA, O Estadao de S.Paulo

30 de novembro de 2007 | 00h00

A tentativa do Mercosul de fechar um acordo de livre comércio com Israel fracassou. Ontem, em Genebra, as duas delegações não conseguiram concluir o processo, como haviam previsto. Israel insistia em encerrar o acordo logo para evitar que tivesse de negociar com um Mercosul que contasse com a Venezuela.Nos últimos meses, Caracas tem atacado a política de Israel. A negociação havia sido lançada em 2005 e, desde segunda-feira, as delegações estavam reunidas na cidade suíça com o objetivo de concluir o processo até ontem. Com o fracasso, um entendimento dificilmente será assinado este ano. A meta tanto do Mercosul quanto de Israel era usar a cúpula do bloco, marcada para o dia 17 de dezembro, em Montevidéu, para assinar o tratado, que seria o primeiro de livre comércio do Mercosul com um país fora da América do Sul.Evandro Didonet, negociador-chefe do Brasil, negou que fatores políticos tenham interferido no fracasso. "Foram questões técnicas que impediram o entendimento", afirmou. O acordo não foi fechado por causa da falta de consenso sobre o ritmo do corte de tarifas. Israel pedia que alguns de seus produtos pudessem entrar no Mercosul isentos de tarifas quatro anos após a conclusão do acordo. O bloco pedia oito anos, para manter protegidos alguns de seus setores. O Itamaraty preferiu não revelar quais seriam esses produtos que estariam bloqueando as negociações. O governo apontou que pedidos do Mercosul em relação ao acesso a mercados também não foram atendidos plenamente. O bloco exporta essencialmente produtos agrícolas para Israel. Os representantes de Tel-Aviv não disfarçaram a decepção. Os israelenses sabem que, com a Venezuela no Mercosul, tudo indica que o processo será politizado. Caracas tem se aproximado do Irã e não perde ocasião para criticar Tel-Aviv.Israel queria usar até mesmo a data para dar sua mensagem. Se fechado ontem, o acordo ocorreria exatamente no 60º aniversário da votação na Assembléia-Geral da ONU que, em 1947, criou o Estado de Israel. Ontem, a missão israelense em Genebra chegou a escrever um comunicado anunciando o acordo, caso o entendimento de fato fosse concluído hoje.Mas, como o Estado antecipou, a delegação brasileira mantinha uma posição de cautela. Em termos comerciais, o acordo tinha pouca relevância, já que o fluxo de bens entre Mercosul e Israel é de pouco mais de US$ 700 milhões.Politicamente, porém, o entendimento teria um impacto importante, tanto dentro do Mercosul quanto nas relações com o Oriente Médio.

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