Fracassa acordo na Organização Mundial do Comércio

Depois de centenas de reuniões, a Organização Mundial do Comércio (OMC) apresentou nesta sábado o rascunho da declaração de Hong Kong. Em um documento de 42 páginas, a entidade admite que não há acordo sobre quase nada e acata, de uma vez por todas, que o trabalho que deveria ser concluído em dezembro na conferência em Hong Kong terá de ser completado em um novo encontro em 2006. Mas nem mesmo a data da nova conferência está estabelecida. A conferência de Hong Kong será realizada a partir do dia 13 de dezembro e tem como objetivo fechar um acordo sobre o ritmo da abertura dos mercados agrícolas e industriais. Sem acordo, a opção do diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, foi entregar um texto que só reconhece as divergências entre os países. O documento terá de ser aprovado quarta-feira em Genebra para ser enviado à Hong Kong e ratificado pelos ministros. Nos próximos dias, porém, os debates em Genebra prometem ser intensos. O Brasil parece satisfeito com o texto. "Não há surpresas e Lamy não tentou aproximar as posições dos países em nome dos governos. O rascunho só reflete o estado das negociações, é a primeira vez que isso ocorre na OMC e acho que é um grande progresso", afirmou o embaixador do Brasil na organização, Clodoaldo Hugueney. "Se os governos não conseguem fechar um acordo, não faz sentido que alguém tente empurrar um entendimento." Ele ainda reconhece que o texto é desequilibrado, "mas é uma boa base." Para outros diplomatas, o texto é só o início do debate. "A criança nasceu abaixo do peso, agora precisamos alimentá-la," disse o embaixador do Uruguai, Guillermo Valles. Segundo o representante mexicano, Fernando de Mateo, o objetivo será ampliar a ambição do texto. "Essa declaração também pode servir como uma base para um calendário de negociações em 2006." Para Crawford Falconer, presidente das negociações agrícolas, não há muito tempo para mudanças drásticas. O rascunho da declaração reafirma a vontade dos países em concluírem a Rodada Doha em 2006 e pôr a questão do desenvolvimento no centro das negociações. A retórica, porém, não sobrevive às indefinições. No texto, Lamy admite que muito deve ser feito nas negociações agrícolas e que as fórmulas para determinar como ocorrerão os cortes de tarifas e de subsídios não conseguirão ser fechadas em Hong Kong.

Agencia Estado,

26 Novembro 2005 | 16h24

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