Fracassa negociação da aeiou com grupo árabe

Operadora que estreou em São Paulo com meta de atingir 2 milhões de clientes tem até agora apenas 16 mil

REUTERS, O Estadao de S.Paulo

17 de janeiro de 2009 | 00h00

A operadora aeiou, marca fantasia adotada pela Unicel, empresa de telefonia celular que começou a operar em São Paulo em setembro, está novamente sem um sócio investidor. A companhia informou terem chegado ao fim, sem sucesso, as negociações para vender parte do seu capital à HiTs do Brasil Empreendimentos e Participações, subsidiária do grupo árabe HiTs Telecom, que pretendia fazer nela seu primeiro investimento na América Latina."Depois de esgotadas todas as tentativas de conciliação entre as partes, a Unicel tomou essa decisão em função do descumprimento, pela HiTs, do acordo de investimento e das obrigações de pagamento pactuadas", disse a operadora brasileira em um comunicado.A empresa foi criada com a perspectiva de que um grupo de investidores americanos aportasse recursos na operação - que foi idealizada pelo executivo brasileiro José Roberto Melo da Silva, hoje seu presidente. O executivo foi procurado para falar sobre o assunto, mas a informação da empresa foi de que ele não poderia dar entrevistas por estar em reuniões com investidores. Ao longo do período de implantação dos serviços da companhia, os investidores americanos deixaram o projeto e a aeiou acabou anunciando acordo com a HiTs nas vésperas de sua estreia.A companhia tinha até uma opção de compra do controle total da operadora brasileira. O grupo da Arábia Saudita declarou em seu país ter investido US$ 62 milhões para comprar 49% da companhia local."A empresa mantém seu projeto e o firme propósito de constituir uma operadora de baixo custo e alta penetração na sociedade brasileira", diz o comunicado.Uma fonte próxima à empresa afirmou que ela está negociando com bancos e com seus fornecedores para manter a operação normalmente, enquanto busca outro sócio que lhe aporte recursos.ABAIXO DA METAQuando iniciou sua operação, focada em uma estrutura enxuta e vendas basicamente pela internet, a aeiou informou ter a expectativa de alcançar dois milhões de usuários em três anos.Até dezembro, no entanto, segundo os números da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), ela tinha apenas 16 mil assinantes. De acordo com a fonte, a operadora não fez nenhum corte de pessoal ou despesas até o momento, com exceção de uma redução nos gastos em marketing.

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