Fracassa pacto fiscal na Argentina

Mais uma vez, a assinatura do acordo financeiro entre o governo do presidente argentino Eduardo Duhalde e os governadores das províncias terá que esperar. A conclusão do acordo havia sido anunciada com estardalhaço pelo governo, que até divulgou lugar e hora.O pacto fiscal é uma das exigências do FMI para liberar dinheiro novo para a Argentina. No entanto, o governo fracassou na tentativa de seduzir os governadores a acertar o fim das verbas fixas que a União remetia mensalmente às províncias, para substituí-las por uma porcentagem da arrecadação tributária nacional.Os governadores estão insatisfeitos com a proposta do governo para o refinanciamento das dívidas provinciais. ?É?o acordo não vai sair tão rápido como havia sido imaginado?, disse Duhalde. O presidente admitiu que as discussões com os governadores são ?complexas e demoradas?. Além disso, afirmou que não sabia de reunião alguma entre ele próprio com os governadores, como havia sido divulgado."Deste jeito não dá"Os governadores, tanto do partido de Duhalde, o Justicialista (Peronista), como da União Cívica Radical (UCR), o principal partido da oposição, posicionam-se firmemente contra o governo. O governador de Mendoza, Roberto Iglesias, definiu o acordo como ?inviável para as províncias?. Para o governador da província de Buenos Aires, Felipe Solá, o acordo ?terá que mudar muito, porque deste jeito não dá?.O governador de Catamarca, Oscar Castillo, disparou: ?isto aqui não será assinado nem hoje nem amanhã?. O governador de San Juan, Alfredo Avelín, foi mais além do acordo, e pediu a realização de eleições gerais daqui a 180 dias.O analista político Rosendo Fraga disse à Agência Estado que para conseguir um acordo financeiro com as províncias, Duhalde terá que entrar em confronto com sua única base de sustentação, que são os governadores. "O dilema do FMI e dos governadores pode ser adiado, mas enquanto isso, a crise social cresce.E na atual conjuntura argentina, estas coisas complicam-se rapidamente em poucas semanas, e não mais em vários anos, como antigamente?, disse."Nosso país está falido"Sem apoio interno, Duhalde diagnosticou sua gestão: ?estou governando em uma situação de turbulência?. Logo em seguida, encadeou uma série de lamentos: ?nosso país está falido. Esta é a pior crise de nossa História?. Depois, apelou mais uma vez para o exterior: ?se os organismos financeiros internacionais não nos derem uma mão, vai ser difícil sair da crise?.Apesar da súplica, Duhalde não perdeu o tom crítico com o FMI, e disse que se o organismo pretende que a Argentina faça um plano econômico ?sustentável?, isso implicará em ter ajuda financeira externa.Sem dinheiroAs declarações de Duhalde foram feitas um dia depois que a vice-diretora da FMI, Anne Krueger, afirmou que ?não há sentido em emprestar dinheiro para a Argentina neste momento? até que seja apresentado um plano sustentável. O presidente argumentou que ?a Argentina está falida? e que concretizar um plano ao gosto do FMI, requererá dinheiro que o Estado argentino não possui. Imposto compulsórioAfundada no meio da pior crise da História, Buenos Aires a mais rica e mais importante província do país ? e também a mais endividada - anunciou que terá que cobrar um imposto compulsório sobre as receitas das empresas e pessoas físicas que retirarem dinheiro das contas bancárias. A Receita Federal da província reterá 0,7% dos 70% de cada movimento financeiro.A arrecadação tributária caiu 32% em janeiro, em comparação com o mesmo mês do ano passado. Além disso, o governador Felipe Solá admitiu que não descarta emitir mais ?patacones? (bônus utilizados pelo governo provincial para o pagamento de funcionários públicos e fornecedores do Estado), já que os pesos não serão suficientes para pagar as dívidas que a província possui.Leia o especial

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