Fracassa tentativa de assembléia da Transbrasil

Sem conseguir colocar um avião no ar há quase um ano, a Transbrasil continua enfrentando turbulências. Os funcionários da companhia aérea tiveram frustrada a tentativa de realizar uma assembléia geral extraordinária, convocada pela Fundação Transbrasil, entidade que detém 16% das ações da empresa. Por ordem na Justiça a assembléia, que elegeria uma nova diretoria executiva, não pôde ser realizada.Segundo o presidente da Fundação Transbrasil, comandante Sérgio Borges da Costa, a eleição de uma diretoria que assumisse o controle da empresa era a chance que a companhia teria para evitar que o Departamento de Aviação Civil (DAC) retomasse a concessão. No próximo dia 16, caduca o contrato da Transbrasil com o DAC, que deverá cassar o registro. Então, a companhia deixará, oficialmente, de ter condições de operar.Borges da Costa garantiu, aos poucos funcionários que atenderam ao chamado da Fundação, que ainda não se deu por vencido. "Perdemos uma batalha, mas ainda não perdemos a guerra?, declarou. Ele afirmou que vai lutar até o último minuto para evitar o desaparecimento da companhia. Para o presidente da Fundação interessa aos concorrentes e à própria família Fontana, detentora de 54% das ações da Transbrasil, que a empresa vá para a falência.O comandante contou para os funcionários que está tudo irregular na empresa. "Para o DAC, o Antônio Celso Cipriani (genro de Omar Fontana, que assumiu a empresa com a morte do fundador) ainda é o presidente da Transbrasil", afirmou. Ele lembrou, no entanto, que a Transbrasil está sem comando, e que Cipriani é demissionário. Daí porque a questão principal voltou a ser a constituição de uma diretoria, seguida de um plano de investimentos que permitisse a retomada das operações.Sem citar nomes, Borges da Costa garantiu que a Fundação Transbrasil tem um investidor que está interessado em colocar dinheiro na empresa e fazê-la operar. "Íamos apresentá-lo para vocês hoje, logo após a realização da assembléia", afirmou. Costa voltou ainda hoje para São Paulo, onde teria uma nova conversa com o investidor misterioso e, também, com a Curadoria das Fundações, que num primeiro momento permitiu a assembléia e, depois, voltou atrás.Os funcionários da Transbrasil também ficaram irritados com as informações recebidas, de que o ex-presidente da companhia, Antônio Celso Cipriani, obteve o desbloqueio dos seus bens pessoais na Justiça. A falência da companhia, pedida pela GE (General Eletric) ainda não foi concedida.O porta-voz da companhia aérea, Carlos Badra, informou que a família Fontana não reconhecerá medidas tomadas pela Fundação Transbrasil, entidade que representa os funcionários da empresa. "Eles são minoritários e as suas ações não têm validade", afirmou Badra.A família do fundador Omar Fontana tem 80% das ações. O presidente da empresa, Antonio Celso Cipriani, possui 4%, e a Fundação Transbrasil, 16% do capital. Os negócios com as ações da Transbrasil foram suspensos na Bolsa de Valores de São Paulo porque a empresa não renovou o contrato de custódia dos papéis com o banco Bradesco. Segundo o DAC, a empresa não apresentou nenhum plano de retomada das atividades.

Agencia Estado,

09 de outubro de 2002 | 17h11

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