Fraga admite leve ajuste nas metas de inflação

Em entrevista ao jornal britânico Financial Times, o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, admitiu que não esperava "tanta ansiedade" como a que atingiu os mercados na semana passada. Apontando sólidos fundamentos do Brasil - a inflação sob controle e o superávit fiscal primário -, Fraga disse que se o próximo governo persistir com políticas cautelosas, o prêmio de risco recuará. "Não vejo porque o próximo presidente não fará esforços para acalmar as pessoas", disse.CríticasSegundo o FT, críticos afirmaram que o presidente do Banco Central perdeu o toque certo que ajudou a estabilizar o sistema financeiro do Brasil e assegurar sua reputação como destino favorito para os investidores estrangeiros. Eles argumentam que a incapacidade de Fraga baixar as taxas de juros contribuiu para um menor crescimento e fortaleceu a popularidade de Luiz Inácio Lula da Silva.Os críticos, acrescenta o FT, afirmam que o governo brasileiro estabeleceu uma meta de inflação, de 3,5%, muito ambiciosa e depois criou uma pressão inflacionária desnecessária com a liberação dos preços de gasolina e com o aumento das tarifas de serviços públicos. Fraga, de acordo com o FT, aceita que possa haver certo espaço para alterar as metas de inflação, mas rejeita o tipo de mudanças radicais debatidas recentemente pela oposição.Fraga defendeu com força as recentes decisões, sobretudo a antecipação da marcação a mercado nos fundos de renda fixa. "Fomos acusados incorretamente. Se não tivéssemos feitos isso, teríamos um grande problema", afirmou. Críticas sobre a estratégia de emissão da dívida brasileira são igualmente errôneas, argumentou Fraga ao jornal britânico.VolatilidadeAs últimas decisões de diminuir os vencimentos da dívida deixam o novo governo com uma carga maior de financiamento em seus primeiros meses de mandato. Mas Fraga afirmou ao FT que o Banco Central já havia prolongado anteriormente os vencimentos da dívida para fornecer-lhe maior espaço, caso (como realmente ocorreu), a volatilidade aumentasse durante a disputa eleitoral. Fraga disse ao FT, contudo, que muito dependerá das eleições. Uma política monetária e fiscal mais dura por parte do novo governo será essencial para restaurar a credibilidade.O jornal lembra que os temores de uma vitória do partido de esquerda nas eleições presidenciais de outubro agitaram os mercados financeiros, arrastando os preços dos títulos na semana passada para os seus níveis mais baixos desde março de 1999, disse o jornal. Na semana passada, o governo brasileiro foi forçado a recomprar US$ 3 bilhões de sua dívida e sacar US$ 10 bilhões de uma linha crédito com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para ajudar a defender a moeda.Fraga concedeu na manhã desta segunda-feira uma entrevista ao programa Bom Dia Brasil, da TV Globo, na qual defende as medidas adotadas pelo governo para controlar a liquidez e acalmar o mercado que, segundo ele, se comportou bem na última sexta-feira. Ele explica ainda o que o BC vem fazendo para lidar com a fuga de investimentos de longo prazo. Leia aqui

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