Fraga aposta na recuperação do país

O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, em entrevista ao jornal britânico Financial Times, fez uma avaliação otimista sobre a perspectivas para a economia brasileira, afirmando que o pior da crise financeira já passou. "Estamos no caminho da recuperação", disse Fraga. "Não estamos felizes onde estamos hoje, mas estamos felizes para onde estamos indo."Segundo Fraga, um mês após o Brasil receber um pacote de empréstimos de US$ 30 bilhões do Fundo Monetário Internacional (FMI), o sentimento dos investidores melhorou devido à melhor compreensão do acordo e também pelo apoio expressado pelos candidatos à Presidência da República. Segundo Fraga, há a possibilidade de ocorrerem reformas estruturais após as eleições, entre elas a reforma tributária, da Previdência Social e a independência do Banco Central. Fraga disse que a valorização da dívida de longo prazo do país é um indicador que os investidores estão menos preocupados com o próximo governo. Além disso, o superávit comercial em agosto atingiu o seu nível mais alto em dez anos, reduzindo o déficit de conta corrente e as necessidades de financiamento externo do País.Fraga admitiu que a continuidade da recuperação vai depender muito do próximo governo e também dos mercados financeiros globais. "Eu não estou totalmente tranqüilo em relação à economia global", disse o presidente do BC. "Temos que trabalhar com a suposição que os mercados irão permanecer avessos ao risco por algum tempo". Ele ressaltou, no entanto, "que as forças na frente doméstica se afastaram do pior e estão se movendo com firmeza rumo a recuperação". TemoresO FT observou que a série de contatos que Fraga e o ministro da Fazenda, Pedro Malan, irão manter na Europa na próxima semana têm o objetivo de afastar os temores sobre a capacidade de o Brasil pagar a sua dívida pública, que atingiu 61,9% do PIB em julho. Fraga afirmou que o câmbio, o crescimento econômico e as taxas de juros - os fatores chave para determinar o peso da dívida - têm sido afetados de uma maneira anormal por uma série de crises temporárias, mas que vão registrar uma melhora no futuro. "Eu não vejo porque um país com um grande superávit primário, bancos saudáveis, um regime de câmbio flutuante e crescente produtividade não irá com o tempo ser capaz de ter taxas de juros de um dígito e um crescimento superior a 4%", disse Fraga. "Nós não estamos numa crise de bola de neve, que se auto-alimenta."

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