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Fraga confia em apoio do FMI no próximo governo

O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, disse que está convencido de que o FMI vai continuar apoiando o Brasil no próximo governo. "Estive em Washington e estou completamente persuadido de que o FMI vai continuar a apoiar o Brasil com suas políticas, independentemente de quem esteja lá (na Presidência)", disse Fraga, em palestra para cerca de cem investidores e analistas estrangeiros, promovida pelo Deustch Bank.No entanto, um dos analistas questionou Fraga a respeito de sua segurança quanto ao FMI em face às cobranças que o Fundo tem feito à Argentina e à Turquia. "Eu não disse que o FMI apoiaria qualquer coisa, mas sim que continuaria apoiando o Brasil se continuarmos com políticas razoáveis", respondeu Fraga. O presidente do BC acrescentou que "o FMI tem resistido a apoiar economias com câmbio fixo e com sistema bancário fraco". "Não é nosso caso", disse.O presidente do Banco Central ressaltou que o candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, "se comprometeu com a responsabilidade fiscal e a inflação baixa". Fraga fez a observação espontaneamente, durante a primeira parte de sua palestra. O presidente do BC comentou ainda as declarações de o secretário do Tesouro americano, Paul O´Neill: elas "não trouxeram nenhuma surpresa. Nós já sabíamos que a nova administração americana teria uma visão diferente do que a anterior".Spreads altosO presidente do Banco Central, Arminio Fraga, disse que os fundamentos econômicos do Brasil permitem que o País continue administrando spreads altos. "Podemos ter spreads assim até o fim do ano, e mesmo um próximo governo ainda poderá administrar spreads assim por um bom tempo", afirmou. Fraga disse, no entanto, que espera uma queda nesses spreads. "Continuando o debate saudável no Brasil (sobre administração macroeconômica) e o País mantendo a responsabilidade fiscal, acredito que os spreads possam cair", disse. O presidente do BC afirmou ainda que o atual governo vai entregar um país com bons fundamentos macro e microeconômicos à próxima administração. "O próximo governo teria de fazer algo muito tolo para tirar o País dos trilhos", afirmou. Fraga citou como bons elementos macroeconômicos deixados por este governo "a inflação baixa, os substanciais superávits primários, um mercado financeiro bem estruturado e a previdência com 80% das reformas necessárias já feitas". Em relação aos quesitos microeconômicos, Fraga destacou a grande abertura do mercado brasileiro ocorrida nos últimos anos. Segundo o presidente do BC, entre as prioridades para o País estão a reforma tributária, a conclusão da reforma da previdência e a instituição de uma nova lei de falências. Armínio Fraga disse que não acha possível um cenário de necessidade de financiamento de empresas brasileiras pior do que no ano passado. Fraga fez a declaração quando questionado por uma analista sobre o "pior cenário" possível para este ano, na opinião dele. "No limite, poderíamos voltar a intervir no mercado como fizemos no ano passado. Do meu ponto de vista não acho que haja possibilidade de termos de fazer mais do que fizemos no ano passado", respondeu, quando a analista expressou preocupação com o fato de haver US$ 15 bilhões em dívidas corporativas vencendo ainda este ano. Fraga está em um encontro reservado com investidores agora e à noite participa de um jantar em homenagem a ele. Segundo a embaixada brasileira estarão presentes neste encontro presidentes ou diretores-executivos da Goldman Sachs, Dresdner Kleinwort, HSBC Holdings, Morgan Stanley Group, Merrill Lynch, Banco Santander Central Hispano e editores do Financial Times e The Economist Inteligence Unit.

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