Fraga defende câmbio flutuante e melhora dos fundamentos

O ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga reagiu ao comentário feiro pelo presidente do Itaú BBA, Fernão Bracher, fez hoje de uma taxa de câmbio favorável às exportações. Segundo Fraga, o que vai reduzir a vulnerabilidade do Brasil a choques externos é melhorar os fundamentos da economia, em um trabalho de longo prazo. Fraga afirmou também que "cabe a pergunta se o Banco Central foi excessivamente purista" na política de câmbio flutuante. Ele mesmo respondeu que não porque o sistema de metas de inflação já atua indiretamente sobre o câmbio pelas taxas de juros quando o câmbio vai afetar os índices de preços. Afirmou que "o fator próximo que gerou essas crises (originadas na fragilidade do balanço de pagamentos) foi o câmbio administrável". Fraga disse ainda que 2001 foi um momento de "pânico global" e considerou que naquele momento o Banco Central foi bem sucedido. Outro ex-presidente do Banco Central, Affonso Celso Pastore, questionou Bracher ironicamente sobre qual presidente de Banco Central hoje conseguiria manter uma meta de câmbio. Bracher esclareceu que defende o regime de câmbio flutuante sem uma meta explícita, mas que o governo dê tranqüilidade aos exportadores de que não vai deixar o câmbio ter uma volatilidade tal que prejudique as vendas ao exterior. Ele defendeu um câmbio entre R$ 3,10 e R$ 3,50. Bracher questionou Pastore de volta sobre qual presidente do Banco Central não faz alguma intervenção no câmbio. O debate ocorreu no seminário "Política Fiscal: Choques e Eficácia."

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