Fraga defende relaxamento do FMI

O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, quer que o Fundo Monetário Internacional (FMI) relaxe suas exigências de obtenção de superávit primário das contas fiscais para países cujas economias estejam em recessão, como é o caso, há quatro anos, da Argentina. Fraga defendeu sua posição durante participação no painel "Repensando o FMI e o Banco Mundial: Mais Reforma ou Redesenho Completo?", durante o Fórum Econômico Mundial, que se realiza em Nova York. "É crucial, na hora de (o FMI) desenhar um programa fiscal, levar em conta em que ponto a economia está, qual é o ciclo econômico. Quando se desenham metas fiscais em uma economia em recessão, o melhor seria uma medida mais estrutural do déficit, sem necessidade imediata de superávit primário. Em uma economia em recessão, é difícil construir, num primeiro momento, um superávit", afirmou Fraga.Presidente do BC descarta necessidade de mudanças radicaisEle não considerou necessária uma reforma radical do FMI e do Banco Mundial, como defendem muitos economistas renomados internacionalmente e líderes políticos de vários países, especialmente pelo fracasso das programas de ajustes do FMI em vários países da Ásia e, mais recentemente, da Argentina. "Acredito que o Fundo tem um papel importante a cumprir; existe uma certa ciclotimia nos custos financeiros, nos preços das commodities, que, a meu ver, justifica a existência do Fundo, como instrumento de apoio a países que estão encontrando sua trajetória de desenvolvimento", afirmou.Fraga observou ainda que o FMI tem de buscar sempre se aprimorar, aprender com suas experiências. "Eu trago para a discussão o que creio foi, no nosso caso, uma experiência positiva com o Fundo, mas entendo que em outros casos a situação não foi tão feliz", disse. Segundo o presidente do BC, no caso dos programas de ajustes na Ásia houve muita reclamação em relação às reformas estruturais.

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