Fraga diz que Brasil conta com apoio internacional

O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, afirmou que o Brasil tem apoio internacional. "Esse apoio existe", disse ele, acrescentando que o Brasil tem a opção, se for necessário, de buscar ajuda. Segundo Fraga, esse é um dos dois ?blocos? que ele definiu como sendo de resposta do País para enfrentar a conjuntura desfavorável atual. Fraga disse que o País tem condições de optar por esse apoio. Ele disse ainda que, mantendo a trajetória atual, o Brasil pode sair vitorioso, apesar do momento desagradável. O segundo ?bloco? de resposta pode ser dado, segundo ele, reforçando o entendimento de que o País não tem interesse de voltar aos problemas e erros do passado. Para isso, ele citou a ?tríade? responsabilidade fiscal, compromisso com inflação baixa e com os contratos e o Estado de direito. Segundo Fraga, respeitando essa ?tríade?, o País estará dando um passo para superar as dificuldades atuais."Isso está acontecendo", afirmou. Ele disse que o Brasil está lidando de maneira madura, transparente e serena com a situação. Em breve introdução sobre a situação econômica interna e internacional, Fraga disse que há um ponto de interrogação no ar e duas fontes de preocupação. A primeira refere-se às incertezas relativas ao próximo governo, que ele acredita que o País poderá resolver; e a segunda à conjuntura internacional, agravada pela crise de confiança nas corporações norte-americanas. Armínio Fraga afirmou que o cenário de volatilidade e insegurança nos mercados de capitais exige ainda outras respostas, além de decisões apenas do Banco Central. Segundo Fraga, a principal tarefa do BC é "arrumar a casa para que o próximo presidente possa trabalhar com um mínimo de tranqüilidade". Segundo ele, o Brasil hoje está numa atitude defensiva, e o que deve ser buscado é retomar o caminho do crescimento econômico, ?como foi feito em 2001?, para então permitir que o próximo governo possa assumir com um cenário mais tranqüilo. Fraga disse que sempre existem ações de natureza tática que o Banco Central pode adotar para tentar diminuir o grau de volatilidade no mercado financeiro. Entre as medidas, Fraga citou as intervenções que vêm sendo feitas no mercado de câmbio, que na sua avaliação têm conseguido alcançar o objetivo principal que é aliviar um pouco a tensão nesse mercado. O presidente do BC frisou, mais uma vez, que apesar de existirem essas opções ?táticas?, o Banco Central "não tem nenhum coelho na cartola". Sobre o risco Brasil, a avaliação do presidente do BC é de que o nível de 1.800 pontos, como foi atingido na manhã de hoje, é algo "desconectato dos nossos planos enquanto sociedade". Segundo ele, a dívida externa é pequena, o BC vem recomprando títulos dessa dívida e o balanço de pagamentos vem reagindo bem. "O que temos é um problema de confiança que temos que superar com uma atitude serena, sem inventar", afirmou.FMI e o futuro presidenteArmínio Fraga admitiu que o cenário mundial adverso pode fazer com que o Brasil busque um novo apoio financeiro internacional ainda neste ano.Na avaliação do presidente do BC, o apoio internacional ficou expresso na entrevista da vice-diretora-gerente do FMI, Anne Krueger, concedida ontem. "Isso é mais do que claro. Das conversas que tive, olho no olho, percebe-se que é apenas uma questão operacional. A questão é nós tomarmos a iniciativa de iniciar o processo." Fraga destacou, entretanto, que ainda não existe decisão tomada sobre o assunto, portanto, evitou comentar detalhar sobre um possível acordo de apoio internacional. "Não vou discutir questões táticas." O presidente do BC disse que se a confiança no Brasil não melhorar, o governo terá que agir de maneira preventiva. Fraga afirmou que a preocupação se estende a 2003 e tem como pano de fundo a administração do próximo presidente. Para o presidente do BC, é melhor prevenir do que remediar. Ao ser questionado se um acordo com o FMI será "inevitável", ele respondeu: "Inevitável, não. Mas se a coisa ficar como hoje, é provável." Fraga afirmou que o governo não está esperando um sinal verde dos candidatos à Presidência para começar negociações com o FMI. E disse que a questão é definir a forma e o modelo do acordo, que seria, no caso, uma decisão do governo. Acrescentou que, se o acordo for assinado depois das eleições, é importante que o candidato eleito participe.Segundo ele, seria uma irresponsabilidade não se preocupar com a situação atual. Ele disse que o momento vai exigir um esforço contínuo por um longo tempo, incluindo o próximo governo.O presidente do Banco Central disse que, nos momentos mais difíceis, o FMI "só traz benefícios e não tem custo". Segundo Fraga, se existe compromisso de inflação baixa e de responsabilidade fiscal, nos momentos de dificuldade ter acesso ao FMI é algo que traz benefícios para a economia e a sociedade. "Não ter acesso a esses recursos", completou, "impõe um custo maior". Fraga disse que o ideal seria que o País tivesse baixo risco, conseguisse se financiar facilmente, "mas não dispomos desta situação". "Temos potencial para chegar lá, mas nesse meio tempo a ajuda do FMI é bem-vinda." Ele acrescentou que, se em 1999, após a desvalorização do real, o Brasil não tivesse esse apoio, teria mergulhado numa recessão profunda.

Agencia Estado,

24 de julho de 2002 | 15h27

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