Fraga diz que inflação ainda pode ficar dentro da meta

O presidente do Banco Central, Arminio Fraga, não descatou a possibilidade de a inflação ficar dentro da meta neste ano, apesar de a última ata do Copom ter projetado um índice já acima do teto. "É cedo para ter esse tipo de conclusão", afirmou o presidente do BC. Segundo ele, a situação ainda pode mudar com a conjuntura. "Estamos trabalhando para isso. Só o tempo dirá", afirmou. Mas ressaltou que não queria minimizar as dificuldades da conjuntura internacional e local. "Estaríamos tapando o sol com a peneira", afirmou. Ao ser questionado se o estouro da meta por dois anos consecutivos não afetaria a credibilidade do sistema de metas no Brasil, Fraga disse que tudo é uma questão de avaliar as circunstâncias. "Depende das justificativas", afirmou. Ele disse que não afetaria a credibilidade se o estouro da meta aconteceu para não trazer custos excessivos diante de choques na economia. Mas afetaria, sim, se o "BC tivesse sido frouxo e criado um ambiente artificial", afirmou. Fraga disse, mais uma vez, que não faz sentido trabalhar com ano-calendário no sistema de metas inflacionárias. Apesar de alguns economistas defenderem a necessidade de aumento do superávit primário das contas do setor público, Armínio Fraga acredita que o atual nível de superávit permitirá ao longo do tempo a redução da relação da dívida pública com o Produto Interno Bruto (PIB). Segundo Fraga, alguns economistas que defendem a ampliação desse superávit estão fazendo suas projeções "extrapolando" a atual situação por um tempo indefinido. "Não vejo razão de ser nessa extrapolação, eu estou convencido de que o atual superávit primário é suficiente para resolver o problema", disse. Ainda assim, ele considera importante a discussão do assunto e adiantou, em entrevista, que nos próximos dias o BC deverá divulgar um estudo elaborado pelo diretor de Política Econômica, Ilan Goldfajn, em que é detalhada a tese do governo de que o atual superávit de 3,75% do PIB é suficiente para reduzir, ao longo do tempo, a relação dívida-PIB.

Agencia Estado,

24 de julho de 2002 | 16h24

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