Fraga diz que regime de metas precisa de apoio do governo

O ex-presidente do Banco Central do Brasil, Armínio Fraga, realizou hoje na sede do Banco Central da Argentina uma palestra sobre a experiência brasileira na adoção do regime de metas de inflação. O debate sobre o assunto foi instalado pelo presidente do BC argentino, Alfonso Prat-Gay, que anunciou ontem que a Argentina está preparada para adotar o regime a partir do próximo ano. Durante o seminário "Jornadas Monetárias e Bancárias", do BC argentino, Armínio Fraga defendeu a aplicação do sistema de metas de inflação, mas advertiu que, se a Argentina decidir aplicá-lo como política monetária, não poderá ser uma decisão somente do Banco Central mas de todo o governo. Segundo Fraga, o presidente Néstor Kirchner deverá comprometer-se claramente com este regime, cujo maiorrequisito é a disciplina fiscal. Fraga foi o principal palestrante convidado e disse que o regime de metas de inflação, como política monetária, "no Brasil funcionou muito bem". Características argentinasEle observou que, antes de adotar este sistema, a Argentina deve avaliar as incertezas e eliminar alguns preços distorcidos. Para Fraga, é fundamental "reforçar os regimes macroeconômicos, com predomínio fiscal e o sistema financeiro tem que ser saudável, sólido e solvente". Também disse que é necessária a flutuação do câmbio e que "a intervenção cambial por si só não é a solução, tem que ser parte de uma política". A palestra de Fraga foi ouvida por economistas, banqueiros e empresários. O economista Miguel Angel Broda disse à Agência Estado que ainda é cedo para a Argentina adotar este regime, porque nem o governo ainda está de acordo com a idéia. Broda considera que o Banco Central não está preparado para iniciar o ano de 2004 com metas de inflação porque "faltam conhecer melhor o mecanismo, funcionários para fazer todo o processo de preparação, ajustes de preços relativos, reajuste das tarifas e dos salários reais". Broda disse que o BC tem o apoio do governo e, se for o caso, poderá vir a adotar o regime de metas de inflação a partir do segundo semestre de 2004.

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