Fraga e Goldfajn defendem confiança no Brasil

Em artigo intitulado "Trust Brazil" (Confie no Brasil), publicado no site do jornal britânico Financial Times, o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, e o diretor de Política Econômica do BC, Illan Goldfajn, afirmam que os temores do mercado sobre a sustentabilidade da dívida pública ou sobre os fundamentos econômicos do Brasil são injustificados. "Os primeiros dois passos para garantir um ambiente macroeconômico estável já foram dados: o acordo com o FMI e, muito importante, o claro apoio dos principais candidatos à Presidência", diz o artigo. Segundo Fraga e Goldfajn, a eleição do futuro presidente, o anúncio de sua equipe econômica e, partir de janeiro de 2003, a implementação de políticas econômicas sólidas e o domínio das normas vão melhorar a confiança dos investidores. Com esses fatos, afirmam, o atual período de turbulência dos mercados dará lugar a uma sólida recuperação no País. O presidente e o diretor do BC lembram que as economias em que o resultado foi menos benigno partilhavam pelo menos uma das seguintes fragilidades: câmbio fixo, sistema bancário fraco, déficits primários nas contas fiscais, uso de dívida de curto prazo para financiar déficits em conta corrente. "O Brasil não tem nenhuma delas", afirmam. Fraga e Goldfajn afirmam que a preocupação dos investidores se concentra no perfil da dívida. "É vital distinguir entre a dívida externa e a dívida pública. A maior parte da dívida externa do Brasil se deve ao setor privado. As mudanças nas contas externas nos últimos quatro anos foram sólidas. Por exemplo, a balança comercial passou de um déficit de US$ 7 bilhões em 1998 para um superávit de pelo menos US$ 7 bilhões este ano. Mais do que isso, o déficit em conta corrente caiu quase à metade, de US$ 33 bilhões em 1998 para US$ 17 bilhões este ano - e tem sido financiado por investimento estrangeiro direto. Estes resultados levaram a uma redução significativa na dívida externa do País nos últimos quatro anos." Ao reiterarem que a dívida pública é sustentável, Fraga e Goldfajn afirmam que o superávit primário atual de 3,75% do PIB garante um declínio da relação dívida-PIB desde que a taxa de juro ajustada à inflação paga pelo governo sobre sua dívida não exceda o crescimento do PIB em mais de 7 pontos percentuais. "Este amplo colchão sugere que a relação dívida-PIB declinará, desde que o superávit primário seja mantido", afirmam. Os principais candidatos presidenciais concordaram em fazer isso por pelo menos três anos, eles lembram. O presidente e o diretor do BC afirmam que alguns analistas projetam para o restante da década os atuais números de crescimento, taxa de juros e de câmbio - "baseados em circunstâncias extremamente negativas" - para argumentarem que as finanças do Brasil não são sustentáveis. "Por que um País com um superávit primário significativo, um sistema bancário saudável e uma taxa de câmbio flutuante não caminharia para taxas de juros reais de um dígito?", perguntam. Da mesma forma, questionam por que o Brasil não atingiria seu potencial de crescimento de 4,5% do PIB, registrado no fim de 1999 e início de 2001. "Além disso, com uma parcela da dívida atrelada ao câmbio, qualquer valorização futura do real em termos reais - o que é provável no médio prazo, dado o atual nível de subvalorização - vai reduzir mais da relação dívida-PIB", afirmam. Para concluir, eles afirmam que, após o acordo do FMI, cabe ao Brasil fazer a sua parte e que, após as duras lições dos últimos 20 anos, o País "não escolherá o caminho errado desta vez".

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