Fraga em exclusiva fala sobre mercados

O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, admitiu hoje a possibilidade de discutir, no âmbito da reforma tributária, a adoção de um mecanismo de transição para reduzir a alíquota da CPMF incidente nas operações no mercado de capitais. "A CPMF representa um impacto negativo no volume de negócios do mercado financeiro", reconheceu Fraga. A preocupação do presidente do Banco Central é a de fortalecer o mercado acionário brasileiro, que vem sendo esvaziado pela migração de operações para o exterior. Fraga deixou claro que a análise de alternativas para a reduzir a carga tributária sobre o mercado de capitais não significa negligenciar a importância do equilíbrio fiscal. "Estamos discutindo como resolver o problema sem criar outro", afirmou. O presidente do BC lembrou que a CPMF tem data para acabar. Mas se for possível reabrir a discussão da reforma tributária, ele acredita que estará criado o caminho para se buscar fórmulas que abreviem a repercussão negativa da cobrança da contribuição para o mercado. A seguir, os principais trechos da entrevista.FUNDOS DE PENSÃO - O governo pretende promover, ainda neste ano, mudanças na regulamentação das aplicações dos fundos de pensão para dar maior grau de liberdade no direcionamento dos investimentos dessas entidades. É correta a reclamação dos dirigentes destas entidades quanto à rigidez das normas atuais. O objetivo é estimular as aplicações dos fundos nas empresas que apresentem critérios de administração que possam ser enquadrados na chamada " boa governança". Isso pressupõe empresas com uma administração transparente e que respeite os direitos dos acionistas minoritários. Além das modificações nas regras de aplicações dos fundos de pensão, contamos com a aprovação da Lei das S/A ainda este ano no Congresso para fortalecer o mercado de capitais. PETRÓLEO - A situação é turbulenta e ainda existem muitas incertezas. A alta das cotações do petróleo caracteriza um choque de oferta, o que é sempre desagradável. Esse choque de oferta sempre provoca pressões de alta na inflação e de redução nos índices de crescimento. Mas ainda é prematuro considerar definitivo o quadro atual. Temos de ter paciência e frieza porque assim como existem choques negativos também podem existir situações positivas. O preço atual está acima de US$ 30 o barril e já esteve abaixo de US$ 20. Temos que administrar a situação da melhor maneira possível e não deixar que o aumento de preço se torne consistente e se desdobre em novas rodadas de aumento. O governo tem tempo para avaliar com calma a perspectiva de reajustar os preços internos dos combustíveis. Existe margem de administração do impacto da elevação dos preços internacionais do petróleo nas contas internas, como por exemplo a permitida pelas mudanças na LDO para o fechamento das contas do setor público. TAXAS DE JUROS - Juro não é meta. O Banco Central trabalha com metas de inflação e as taxas de juros estão condicionadas a esse objetivo central. O horizonte de um patamar de juro real de um dígito na economia brasileira faz parte dos objetivos gerais de política econômica, a longo prazo. Ele tem confiança num futuro mais normal para o Brasil a partir de todas as reformas que foram feitas. No dia-a-dia do Banco Central, a taxa de juros é um instrumento para conduzir a trajetória da inflação. ARGENTINA- O governo argentino está trabalhando arduamente para superar as dificuldades da economia e o modelo da conversibilidade caminha bem. O momento mais crítico da Argentina já passou. Acompanho em detalhes a evolução dos depósitos bancários na Argentina e tenho verificado um aumento dos saldos. A economia argentina poderá crescer 2% este ano. CRESCIMENTO- No caso do Brasil, podemos ter um crescimento de 4% do PIB este ano. Para o próximo ano, não faço previsões, mas considero que há potencial para crescer mais do que 5%. BALANÇA - A situação da balança comercial é tranqüila, mesmo levando-se em consideração o impacto do aumento do preço de importação de petróleo. A contrapartida a esse quadro é o aumento das exportações brasileiras em níveis bastante razoáveis. A conta mais importante a ser observada no balanço de pagamentos é a relação do déficit em conta corrente e a conta de capital. O saldo de investimentos diretos financia com folga o déficit em conta corrente. A questão do balanço de pagamentos está bem encaminhada e não é fator de preocupação. Além disso, nós não somos dependentes de capitais de curto prazo.

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