Fraga explica situação do Brasil aos bancos

O setor privado internacional está preocupado com as repercussões das eleições e da mudança de governo na economia brasileira. A reação ficou clara nesta sexta-feira, quando o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, se reuniu com representantes de bancos e seguradoras de todo o mundo, na sede do Banco de Compensações Internacionais (BIS) na Basiléia.Na avaliação do presidente do BC, o encontro foi uma oportunidade para que o governo brasileiro apresentasse, claramente, qual é a situação do País. ?Eles (os representantes do setor privado) quiseram saber qual a perspectiva do governo em relação à atual situação econômica e como ela é afetada pelas eleições?, explicou Fraga ao sair da reunião, que também tratou da frágil situação financeira mundial.Segundo Fraga, as respostas dadas aos banqueiros presentes (principalmente europeus e asiáticos) foram similares à apresentação feita pela equipe econômica ao se reunir com o setor financeiro internacional em Nova Iorque, há duas semanas.O presidente do BC tentou explicar que, apesar da flutuação do câmbio nas últimas semanas, a economia não está estagnada, a inflação não explodiu e o sistema financeiro não entrou em colapso. Apesar de seus comentários terem sido bem recebidos pelo participantes, Fraga é realista e sabe que a percepção internacional sobre o Brasil não mudará do dia para a noite. G-10Neste sábado e amanhã, ainda na Basiléia, Fraga continua sua peregrinação para tentar convencer a comunidade internacional que o Brasil não representa um risco. O presidente do BC brasileiro terá reuniões com diretores do G-10 (grupo dos dez maiores bancos centrais do mundo) e, segundo fontes do BIS, as preocupações dos bancos centrais também estão relacionadas com o futuro governo, que tomará posse no ano que vem e que, em teoria, teria que cumprir o acordo assinado entre o País e o Fundo Monetário Internacional (FMI).Segundo um funcionário da entidade entrevistado pelo Estado, os representantes do G-10 ainda vão querer indicações claras de que os níveis da dívida no Brasil são sustentáveis. Depois de tentar responder às inquietações dos bancos centrais, Armínio Fraga ainda irá à Frankfurt, na próxima terça-feira, desta vez para tentar acalmar investidores privados alemães. A peregrinação do presidente do BC termina em Amsterdã, na próxima quarta-feira.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.