Fraga faz pronunciamento contra "clima de pessimismo"

O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, disse que discorda da visão negativa de que "está tudo errado", que, na sua opinião, "prevaleceu no debate político" das últimas semanas. Enfatizando que daria uma "visão técnica e desapaixonada", Fraga disse que o atual governo superou uma série de transições e passou, por exemplo, pela hiperinflação, pela crise bancária, fez o ajuste fiscal, tornou mais transparente o orçamento e adotou o regime de câmbio flutuante. Segundo ele, seria "inimaginável" pensar o que estaria ocorrendo neste momento de tensões se o Brasil não tivesse adotado o regime de câmbio flutuante. "Paira no ar uma certa perplexidade com o que está acontecendo com o dólar e com os preços dos ativos de uma forma geral", disse Fraga. "Esta visão de que está tudo errado é que acabou gerando um clima de pessimismo."Armínio Fraga destacou, como exemplos positivos da situação brasileira, que a maioria das crianças brasileiras está na escola e que o número de linhas de telefone aumentou de 20 milhões para 80 milhões. Ele também mencionou o crescimento da produtividade da economia brasileira. O presidente do BC também considerou "superficiais" as análises que vêm sendo feitas sem levar em conta o ambiente externo. Em sua opinião, o momento é de se definir claramente "para onde vamos e o que se pretende fazer".Câmbio e democraciaO presidente do Banco Central disse que as propostas de reestruturação da dívida e de controle de câmbio são "absolutamente equivocadas e impensadas para a economia brasileira". Segundo ele, "todos já sabem que não funciona para o País". "Isso já foi testado sem sucesso", disse, sobre propostas de controle de câmbio. De acordo com ele, o controle de câmbio retiraria a transparência do sistema, levando à informalidade e ao crime. Fraga disse que, se por um lado, inibe a saída de recursos, por outro, acaba com qualquer fluxo de entrada de recursos no País, sem trazer resultados positivos. Ele acrescentou que acredita, pessoalmente, que o controle de câmbio é incompatível com a democracia e as liberdades individuais. Fraga disse que o Brasil não pode abrir mão dessa liberdade, mesmo em momentos mais difíceis. Surgem idéias ?exóticas, pouco ortodoxas? que, segundo ele, "já vimos que não dão em nada". "Pelo contrário, pagamos o preço por tentar aqui uma solução mágica", disse.

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