Fraga inicia peregrinação nos EUA amanhã

Enquanto o ministro da Fazenda, Pedro Malan, se esforça para melhorar a imagem do Brasil junto a investidores europeus, o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, inicia amanhã uma peregrinação pelos Estados Unidos para convencer os norte-americanos de que a situação brasileira é bem melhor do que parece. Ao mesmo tempo a visita, que inclui também encontros com o secretário do Tesouro dos EUA, Paul O?Neil, com o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Horst Köhler, é uma oportunidade para o governo brasileiro discutir um eventual acordo de transição com o Fundo que se estenda pelo próximo governo. O acordo atual termina em setembro.Hoje, o ministro da Fazenda admitiu essa possibilidade e lembrou nota oficial divulgada há duas semanas pelo FMI que reafirmou a confiança do Fundo nos fundamentos da economia e na condução da política econômica atual. O documento, para Malan, deixou claro que o organismo está disposto a expressar este apoio formalmente, através de recursos, não só para a atual administração mas também a qualquer futura administração que tenha um programa econômico sólido. Mas, se o Fundo parece solidário com os problemas atuais da economia brasileira, o mesmo não se pode dizer do secretário do Tesouro americano que recentemente afirmou: "jogar o dinheiro dos contribuintes norte-americanos na incerteza política brasileira não me parece brilhante". Talvez por isso mesmo, o secretário seja o primeiro encontro agendado para Fraga na quarta-feira, quando ele chega em Washington. Depois de tentar quebrar a resistência de O?Neil, o presidente do BC segue para reuniões com o diretor-gerente do FMI e com o todo poderoso Alan Greenspan, o presidente do BC dos EUA. Na quinta, a agenda dele prevê mais visitas a investidores e banqueiros. Segundo a assessoria do BC, ainda não está acertado se Fraga retorna ao Brasil na quinta ou na sexta-feira.A viagem do presidente do BC foi acertada na última semana em meio a uma intensa turbulência no mercado financeiro. A cotação do dólar bateu recordes chegando a R$ 2,94 e exigiu uma postura mais agressiva do BC. Como a campanha eleitoral deste ano está apenas começando, o mercado espera mais volatilidade até outubro. Por isso, acredita-se que um novo acordo de transição com o FMI, que inclua o próximo governo, daria mais tranquilidade neste período.

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