Fraga: juro já poderia estar em um dígito

O presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga, disse hoje a um grupo de parlamentares da Comissão Mista de Orçamento do Congresso Nacional que o juro real no Brasil já poderia estar em um dígito se não tivesse ocorrido uma deterioração do cenário externo. "Se não fosse todo esse cenário externo, talvez já estivéssemos lá", disse Fraga. O aprofundamento do processo de reformas da economia, segundo Fraga, dará condições ainda mais sólidas para que os juros reais fiquem em um dígito num horizonte de tempo não especificado pelo presidente do BC. Sobre a projeção de juros médios de 14,5% para o ano que vem contida na proposta de lei orçamentária, Fraga disse que o número é compatível com as estimativas de crescimento da economia embutidas na proposta orçamentária mesmo com o cenário externo negativo. O presidente da Comissão Mista de Orçamento, deputado Alberto Goldman (PSDB-SP), informou, no entanto, que Fraga teria dito que a projeção de juros nominais deveria ser revisada para cima em função da crise na Argentina e da alta dos preços do petróleo no mercado internacional. "Ele disse que os juros podem ficar um pouco acima da projeção de 14%", disse Goldman. Fraga acredita que a projeção de crescimento da economia para o ano que vem de 4,5% contida na proposta de lei orçamentária é "justa". O presidente do BC ressaltou ainda que considerava anteriormente que haveria folga para o país crescer mais. O agravamento do cenário externo é que levou Fraga a considerar "justo" os 4,5% de crescimento da economia brasileira no ano que vem. Ele lembrou aos parlamentares que a economia brasileira atualmente está crescendo a uma taxa de 3,8%, segundo os levantamentos de especialistas do mercado. Meta da inflaçãoO presidente do BC comentou também que a meta de inflação de 4% fixada para o ano que vem é compatível com a projeção de crescimento da economia de 4,5% em 2001 contida na proposta de lei orçamentária. Sobre a evolução da taxa de câmbio no ano que vem, ele evitou fazer projeções. Porém, Goldman disse que Fraga teria comentado sobre a possibilidade de a taxa de câmbio ficar acima dos R$ 1,82 previstos na proposta de lei orçamentária em função da alta do petróleo e da crise Argentina. Fraga disse que não vê razão para se acreditar numa queda rápida do fluxo de investimentos estrangeiros diretos para o Brasil. "Não vejo o nosso balanço de pagamentos com crise", afirmou. Ele ressaltou ainda que tem verificado um crescimento dos investimentos em áreas específicas da economia feitos com o objetivo de substituir as importações e ressaltou que as exportações têm demonstrado um bom dinamismo. O presidente do BC procurou também esclarecer aos parlamentares que a discussão em torno da possibilidade de o governo tomar medidas de incentivo ao setor eletroeletrônico não pode ser vista como uma indicação de que existe uma crise.

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