Fraga justifica 2001 e prevê inflação menor em 2002

Em respeito às regras do sistema de metas inflacionárias, o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, publica hoje carta enviada ao ministro da Fazenda, Pedro Malan, justificando o não cumprimento da meta de 2001, quando o IPCA fechou em 7,61%, acima, portanto, do teto de 6% definido para a inflação do ano passado. Como as metas de 1999 e 2000 haviam sido cumpridas, esta é a primeira vez que o Banco Central atende à exigência de se justificar ao ministro da Fazenda. Na carta, Fraga relembra fatos conhecidos que pressionaram os preços em 2001, como os choques externos (crise argentina e desaceleração dos EUA), que levaram à alta do dólar, além da forte elevação dos preços adiministrados indexados ao câmbio e a índices de inflação. Em um ponto da carta, o presidente do BC comenta que, devido aos choques, o custo - via aperto da política monetária - de se manter a inflação dentro da meta no ano passado seria maior do que o efetivamente verificado. Ou seja, o BC parece ter preferido acomodar os impactos dos choques distribuindo-os entre a inflação e a atividade econômica. Com isso, a inflação ficou acima da meta, mas por outro lado evitou-se um efeito mais dramático sobre o PIB, que, segundo a carta, ficou dentro da média internacional. Para 2002, porém, a carta de Fraga reitera a sinalização de queda da inflação e mantém a projeção de 3,7% para o IPCA (o mercado ainda projeta mais de 4%), pouco acima do centro da meta, de 3,5%. Segundo o BC, a expectativa é de que os choques de 2001 não se repitam na mesma magnitude, ao mesmo tempo em que o câmbio também pode ter um comportamneto mais tranquilo, em linha com a melhora de percepção de risco do País. Um ponto destacado na carta como favorável para a meta inflacionária neste ano é o preço dos combustíveis. Embora os preços não tenham, num primeiro momento, caído tanto quando o governo imaginava, o documento do BC considera que a concorrência no varejo tende a ampliar a queda.

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