Fraga não acalma mercado e dólar sobe

Às vésperas de um vencimento de dívida cambial de US$ 3,6 bilhões (sendo que cerca de US$ 600 milhões já foram rolados) no próximo dia 17 e com poucos instrumentos de controle de câmbio nas mãos, o Banco Central tentou controlar no grito a alta do dólar ontem. Em entrevista coletiva, no papel de porta-voz da equipe econômica, o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, afirmou que o problema do País, que se reflete na taxa de câmbio, é uma crise de confiança. E insinuou que ela poderia ser resolvida se os candidatos à presidência da República reafirmassem os compromissos de responsabilidade fiscal e de manutenção da estabilidade.Realmente, o pano de fundo da pressão cambial é a incerteza sobre o destino político e econômico do País após as eleições. Mas não podia ser diferente e isso já era previsto. Depois de oito anos de um governo que implantou várias mudanças e não teve tempo para consolidá-las, a alteração de governo, inevitavelmente, representaria um momento de incertezas. E é por isso que o fluxo de recursos para o País foi interrompido, exatamente como se esperava. O agravante é justamente o alto volume de dívida em dólar que o País tem vencendo neste momento. Por isso, os especialistas insistem que a alta continuará e que o "dólar não tem preço". A avaliação é de que aqueles investidores que tiverem compromissos a honrar no exterior vão comprar a moeda norte-americana ao preço que for. Além disso, há as ordens de compra de dólares das matrizes de empresas e bancos internacionais que querem ver o patrimônio dolarizado neste momento de incertezas internas e externas.Quanto às críticas que Fraga fez aos candidatos, os operadores explicam que, nos últimos dias, há rumores no mercado de que o discurso de pessoas da área econômica do PT, em conversas com profissionais do mercado, após o primeiro turno, teria mudado. No entanto, sobraram críticas à fala de Fraga. Algumas pessoas ouvidas pela Agência Estado disseram que o presidente do BC deveria ter sido claro, explicitando que a grande piora do mercado se deve realmente à concentração de vencimentos de dívida cambial, somada ao encolhimento do fluxo de recursos que tem por trás o momento de transição. Mesmo assim, a primeira avaliação é de que a entrevista de Fraga não vai interferir nos negócios de hoje. Na abertura dos negócios, às 9h56, o dólar comercial estava sendo vendido a R$ 3,9100, em alta de 0,90% em relação ao fechamento de ontem. Veja aqui a cotação do dólar dos últimos negócios. Já no mercado de juros, os contratos de DI futuro com vencimento em janeiro de 2003, negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), pagavam taxas de 21,000% ao ano, frente a 20,860% ao ano negociados ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) operava em alta de 0,23%.

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