Fraga não viajará para Argentina

O presidente do Banco Central, Arminio Fraga, negou hoje que viajará para a Argentina nesta semana para participar de novas reuniões com a equipe econômica. Segundo ele, representantes do México, Chile, Estados Unidos e Canadá, além do Brasil, já se empenharam em participar de um seminário em Buenos Aires, mas ainda não há data para o evento. Fraga reafirmou que tem se colocado à disposição das autoridades argentinas.Mais uma vez o presidente do BC afirmou que a Argentina enfrenta uma crise séria, que engloba três aspectos: bancário, fiscal e cambial. "A sensação é que é importante procurar uma solução global que incorpore os três aspectos", disse.InflaçãoO presidente do BC admitiu que os primeiros indicadores de inflação deste mês não foram bons. Parte desses resultados tem uma explicação pontual, de acordo com Fraga, que não se alongou em explicações.O importante para o presidente do BC é examinar a trajetória de inflação no longo prazo. "Num cenário positivo, mas plausível vamos ter uma taxa de inflação em 12 a 18 meses caindo", declarou Fraga ponderando, no entanto, que apenas o ritmo dos acontecimentos dirá se isso é possível.Copom de cabeça abertaFraga negou-se a fazer projeção sobre a reunião do Copom, que se inicia amanhã. De acordo com ele, reuniões do Copom são da maior importância e seus integrantes vão para ela "com a cabeça aberta, analisando os fatos, para procurar manter uma taxa de inflação baixa.Fraga tanto no discurso a empresários reunidos no Sindicato da Habitação (Secovi-SP) quanto na entrevista à imprensa foi enfático em manifestar confiança na trajetória de queda dos juros no longo prazo. O importante, de acordo com ele, é reduzir e manter os juros num patamar mais baixo. Condições propíciasO presidente do Banco Central, ao discursar sobre o panorama da economia brasileira no ano passado e neste ano, disse que há muito tempo o Brasil não vivia condições tão propícias. Segundo ele, o País deve preservar esse rumo até conseguir sair da categoria de alto risco. Países com taxas de risco alta têm dificuldade de administrar o dia-a-dia, tanto do cidadão, quanto do Banco Central, segundo Fraga.O presidente do BC disse que, se o Brasil fizer uma sucessão presidencial tranquila, terá condições de reduzir sua taxa de risco. Quando falou de manutenção de rumo, Fraga referia-se ao que chamou de "regras básicas da estabilidade", englobando trajetória fiscal e estabilidade dos preços. O presidente do BC disse ainda que este cenário positivo permitirá que daqui a um ano e meio ou dois anos o Brasil tenha uma taxa de juros real mais baixa do que já teve em muitos anos. Fraga disse que, mesmo que não ocorra uma recuperação rápida da Argentina, o Brasil tem condições de continuar melhorando sua classificação de risco. Ele admitiu que a crise argentina não favorece o Brasil, mas também não é um empecilho para o País.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.