Fraga reforça que Brasil deve procurar juro real de 5%

O ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, disse hoje que o Brasil deve procurar adotar políticas que reduzam o juro real dos dois dígitos atuais para 5% a longo prazo, estimulando o crescimento econômico. Fraga fez a afirmação ao ser questionado, durante sua palestra hoje no Ibmec, em São Paulo, da adoção pelo Brasil de um imposto sobre a entrada de capital estrangeiro volátil. Para ele, a questão não faz sentido neste momento, pois isso elevaria o juro real, quando se deve procurar reduzi-lo. Fraga não quis comentar sobre a expectativa em relação à decisão sobre a Selic, a taxa básica de juros da economia, na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que acontece amanhã e quarta-feira. Durante sua palestra ele explicou que quando há um choque inflacionário de 1% deve-se elevar o juros em poucos mais do que isso e, quando há deflação, deve-se adotar o mesmo mecanismo, só que para baixo. Fraga defende a autonomia do Banco Central para que as metas inflacionária atinjam os resultados. Ele citou três questões de "dominância" que também afetam o processo de metas inflacionárias: fiscal, financeira e cambial. De acordo com ele, essas questões, como o superávit fiscal, é importante para manter a economia estável por longo prazo; a solidez das instituições financeiras é também levada em consideração para a fixação das taxas de juros; e o fluxo de capitais também cria choques externos e paradas bruscas, que exigem a atenção do Banco Central para evitar efeitos colaterais em termos de explosão inflacionária. Ilam Goldfajn, ex-diretor de política monetária do Banco Central, observou que em países asiáticos houve dificuldade de se implementar programa de metas inflacionárias, durante a crise de 1997, pois se temia a possibilidade de quebra de instituições financeiras.

Agencia Estado,

18 de agosto de 2003 | 15h16

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