Fragilidades da economia brasileira vistas pelo FMI

Entre as tarefas rotineiras do Fundo Monetário Internacional (FMI) está a de transmitir aos países-membros uma avaliação sobre o estado da economia - e ao dar sua opinião sobre o Brasil, quarta-feira, o Fundo mesclou elogios com críticas à condução econômica. Diante da gravidade dos riscos globais, o FMI alerta o País sobre as fragilidades em matéria de preços, déficits e ritmo de atividade.

, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2011 | 00h00

Em 2010, "a política fiscal acabou proporcionando um substancial estímulo pró-cíclico, num momento em que a economia já estava em recuperação", segundo o FMI. O custo dessa política está cada vez mais claro.

Segundo o Fundo, o PIB brasileiro está "acima do potencial". A demanda interna "dinâmica" contribuiu para ampliar o déficit nas transações correntes, "não obstante os preços muito favoráveis das principais commodities exportadas pelo País". Ou seja, as contas externas não se beneficiaram tanto quanto seria possível da demanda pelos principais produtos que o País exporta.

Juntamente com a demanda vigorosa, houve "aperto nas condições do mercado de trabalho", seguido de um choque nos preços dos produtos básicos. E a inflação chegou ao teto da meta (6,5% ao ano).

Para isso concorreu o crescimento acelerado do crédito, que passou de 20% do PIB, em 2004, para 46% do PIB, em 2010. Até abril, o crédito bancário ao setor privado crescia 20% sobre igual período do ano passado, mantendo a tendência. Entre janeiro e abril, entraram US$ 52,6 bilhões em capitais externos, quase o dobro do registrado no mesmo período de 2010. As autoridades usaram "todas as ferramentas de política macroeconômica para administrar o fluxo de entrada de recursos", mas só aos poucos as medidas surtem algum efeito.

O FMI ressaltou os "avanços notáveis" do Brasil na última década, a recuperação após a crise de 2008 e o fato de o País ser um dos destinos prediletos dos investidores globais, além de estar mais resistente a choques externos.

Mas, dados os "sinais de superaquecimento" da economia, o Fundo sugere um aperto fiscal adicional para ajudar a baixar a inflação e administrar o ingresso de capitais. Recomenda, ainda, flexibilizar o Orçamento e reformar o ICMS e a Previdência. Afinal, a melhora do clima de negócios e o aumento da competitividade ajudariam a reduzir os juros elevados.

Quando um economista do nível de Kenneth Rogoff escreve sobre o risco mundial de uma Grande Contração, bem pior do que a recessão, não há como não levar em conta as advertências judiciosas do Fundo.

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