França abalada com decisão dos EUA de suspender importação de foie gras

Nada mais inusitado: os Estados Unidos acabam de proibir a importação do caro e reputado foie gras, entre outras coisas, sob a alegação que os produtores franceses não o produz dentro dos padrões de higiene americanos. O ministro da Agricultura da França, assim como milhões de consumidores e gourmets de todo o mundo, diz não poder entender a decisão dos EUA . E que ainda está tentando convencer os americanos a voltar atrás.A suspensão foi anunciada ontem, com funcionários dos dois lados do Atlântico citando normas de segurança alimentar, mas evitando dizer o que exatamente elas são.O ministro Hervé Gaymard disse que está espantado, especialmente porque acredita que a França tem padrões mais rigorosos de exportação de alimentos do que os Estados Unidos. Ele está trabalhando com a Comissão Européia para mudar essa decisão.?É uma decisão unilatral dos Estados Unidos?, disse Gaymard aos jornalistas, durante uma feira agrícola francesa hoje. ?Nossa reação, é óbvio, não poderia ser de alegria.??Não podemos entender essa decisão? ? ele insistiu ? ?porque na Europa e na França temos os mais altos padrões de exportação do mundo. Muito mais que os dos Estados Unidos.?A medida diz respeito apenas à carne processada, como o foie gras (fígado de ganso), não a cortes comuns de boi, porco ou galináceos. Ocasionalmente, tais produtos podem esconder bactérias perigosas. Entretanto, os inspetores americanos não fizeram nenhuma inspeção bacterial durante uma recente visita à França.Especialistas dos EUA que inspecionaram fábricas no mês passado dissseram apenas que elas não estão de acordo com os requerimentos de segurança alimentar dos Estados Unidos. Funcionários do Departamento de Agricultura consideraram seus sistemas sanitários falhos em relação aos padrões americanos, disse o porta-voz do departamento, Seteven Cohen. As razões exatas não ficaram claras.Mas Gaymard garantiu que a mudança não é uma retaliação à decisão da União Européia de suspender a importação de todos os produtos avícolas americanos, depois da eclosão da gripe avícola no Estado do Texas. E não tem nada que ver com as tensões entre os dois países, depois que a França assumiu uma posição anti-bélica diante da invasão do Iraque, assegurou Jean-François Cope, porta-voz do governo francês.Antes que os produtores possam retomar suas exportações, a França terá de provar ao USDA que reformulou seu sistema de segurança alimentar e que ele está de acordo com os padrões americanos, disseram funcionários governamentais dos EUA.Antes da decisão, apenas 11 empresas francesas tinham permissão para exportar produtos de carne para os EUA. As inspeções de 15 de janeiro a 5 de fevereiro se focaram nessas indústrias e nos escritórios regionais de veterinária que as superviona.Os Estados Unidos e a França têm frequentemente opiniões diferentes sobre segurança alimentar. Na França, queijos de leite cru ? com microorganismos que produzem enzimas que lhe dão sabor ? são respeitadas especialidades. Para os funcionários americanos, são possíveis focos de bactérias perigosas, como a listeria.

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