França adverte que não aceitará barreiras brasileiras

A política comercial brasileira parece colecionar desafetos entre os parceiros internacionais. Depois da China, agora é a vez da França lançar ameaças contra o protecionismo brasileiro. Ontem, o ministro do Comércio francês, Pierre Lellouche, deixou claro que Paris está pronta para levar casos de violações aos tribunais da Organização Mundial do Comércio (OMC) e alerta que não aceitará políticas de "transferência de tecnologia forçada".

GENEBRA , O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2011 | 03h09

Ontem, o decreto que dá benefícios a montadoras estabelecidas no Brasil entrou em vigor, criando barreiras para a entrada de carros importados. Questionado pelo Estado qual seria a atitude da França diante desses casos, Lellouche foi claro: "Vamos à OMC. Vamos ao órgão de solução de disputas". "É um novo mundo, com novos atores e poucas regras internacionais. Há uma nova correlação de forças e a OMC é um dos únicos lugares do mundo onde temos regras."

Paris insiste que quer reforçar os tribunais da OMC para que seja capaz de tratar casos como os que os países emergentes começam a implementar.

"Há uma forma de novo protecionismo brasileiro", disse o ministro. Segundo ele, um dos exemplos disso é a "imposição de medidas discriminatórias sobre o comércio de carros". "Entre as alas mais extremistas, há um discurso cada vez mais forte de que os países emergentes estão fazendo o que querem e que a Europa está sendo mole", disse.

"Não aceitaremos mais isso. Há uma segunda onda de protecionismo e não podemos ser os únicos virtuosos a manter nossos mercados abertos. Queremos uma Europa musculosa."

Clima. O francês admitiu que, diante da crise internacional, o clima "não é favorável" para acordos de livre comércio e não dá indicações de que Paris tenha qualquer pressa em fechar o tratado entre a União Europeia e o Mercosul.

Lellouche preferiu culpar o Mercosul pelo impasse, que já dura cinco anos. "Se o Mercosul estiver pronto, nós também estaremos", disse. O ministro chegou a apontar que, se não for possível fechar um acordo com o bloco sul-americano, a opção seria chegar a um entendimento com o Brasil.

Pelas regras do Mercosul, Brasília não pode fechar acordos comerciais com parceiros sem a inclusão do bloco. "É uma escolha que o Brasil terá de fazer", disse.

Uma prova desse clima nada favorável aos acordos são ainda os discursos dos candidatos à presidência na França. "Muitos deixam claro que querem um governo que proteja os interesses nacionais", disse. / J.C.

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