França anuncia plano que reduz austeridade e pode elevar dívida

Governo vai adiar para 2014 o compromisso de reduzir o déficit abaixo do limite de 3% imposto pela União Europeia

PARIS, O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2013 | 02h14

O governo da França apresentou ontem um plano para diminuir o ritmo das medidas de austeridade, permitindo que sua dívida continue se expandindo por mais um ano em meio à dificuldade da economia local de crescer.

O plano de estabilidade será entregue à Comissão Europeia (CE) no fim do mês, antes de ser submetido à aprovação do gabinete e Parlamento franceses. Paris vinha pressionando por mais tempo para reduzir seu déficit aos limites estabelecidos pela União Europeia sem correr o risco de sofrer sanções. "Medidas adicionais levariam a França à recessão num contexto em que a zona do euro já está, em média, em recessão", diz o governo no plano apresentado.

A França prevê que sua economia crescerá apenas 0,1% este ano, antes de se recuperar e apresentar uma expansão moderada de 1,2% em 2014. Diante do fraco desempenho econômico, o déficit cairá para apenas 3,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2013, de 4,8% no ano passado, prevê o governo, que espera reduzi-lo para 2,9% do PIB em 2014. A CE pede um déficit "claramente abaixo" dos 3% estipulados nos tratados da UE.

As previsões de déficit significam que a dívida francesa atingirá o pico de 94,3% do PIB em 2014, antes de começar a cair no ano seguinte. Durante a campanha eleitoral, há menos de um ano, o presidente francês François Hollande prometeu manter a dívida abaixo dos 90% e até mesmo começar a reduzi-la a partir deste ano.

Após fortes elevações de impostos desde que chegou ao poder há um ano, Hollande diz que agora vai se concentrar na redução de gastos para equilibrar as finanças do país. Em 2014, 70% da redução prevista no déficit deverá vir de cortes de gastos.

Em relação ao PIB, o governo prevê que os gastos públicos vão cair a 53,9% do PIB em 2017, de 56,9% este ano. Em 2014, Paris planeja reduzir os gastos em 1,5 bilhão e diminuir transferências para governos locais na mesma quantia.

Ontem, em evento organizado pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), Hollande disse que seu governo vai buscar reduzir gradualmente o déficit orçamentário do país com menores gastos públicos no ano que vem. "Sou favorável a uma política de disciplina orçamentária, uma vez que a solução para a crise não é austeridade e sim credibilidade e sustentabilidade."

Citando a crise econômica na França e na zona do euro, Hollande disse que seu governo vai propor oficialmente que o compromisso de atingir um déficit menor que 3% do PIB seja adiado para 2014. / DOW JONES NEWSWIRES

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