França anuncia programa de investimentos de 35 bi de euros

Governo investirá 13 bilhões de euros; objetivo é fortalecer crescimento econômico do país no médio prazo

Gabriel Bueno, Agência Estado

14 de dezembro de 2009 | 12h14

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, confirmou nesta segunda-feira, 14, que seu governo lançará um programa de investimentos de 35 bilhões de euros, equivalente a US$ 51,27 bilhões. O objetivo é fortalecer o crescimento econômico no médio prazo.

 

"Este não é outro plano de estímulo", afirmou Sarkozy. "Estes recursos não financiarão o gasto atual, mas apenas investimentos que tornarão o país mais rico."

 

Sarkozy informou que o governo levantará 22 bilhões de euros (US$ 32,23 bilhões) no mercado financeiro. Os 13 bilhões de euros (US$ 19,04 bilhões) restantes virão do dinheiro público devolvido pelos bancos, proveniente de um auxílio anterior do governo a essas instituições.

 

Educação

 

Sarkozy recebeu sugestões de uma comissão que reúne importantes membros, liderada pelos ex-primeiros-ministros Michel Rocard e Alain Juppé. A comissão recomendou no mês passado que metade do valor do plano seja investido em educação e pesquisa e desenvolvimento.

 

Seguindo as recomendações da comissão, o governo deve destinar 19 bilhões de euros (US$ 27,8 bilhões) para educação, pesquisa e desenvolvimento. Outros 6,5 bilhões de euros (US$ 9,52 bilhões) irão para projetos industriais e o restante será usado para fortalecer a indústria digital do país e desenvolver fontes de energia renovável.

 

O plano de investimentos deve gerar mais 25 bilhões de euros (US$ 36,62 bilhões) em investimentos do setor privado. Com isso, o valor total da iniciativa deve chegar a 60 bilhões de euros (US$ 87,9 bilhões), segundo o presidente.

 

Dívida pública

 

Sarkozy disse que o plano de investimentos não deve afetar as finanças públicas do país. Sua contabilidade será feita de modo separado do orçamento do governo, por uma comissão especialmente nomeada para esse fim. Os juros sobre os fundos emprestados serão pagos no âmbito do atual orçamento, afirmou ele.

 

Em janeiro, o governo irá estabelecer uma nova comissão que discutirá propostas para melhorar o gerenciamento da dívida pública do país. Sarkozy não descartou que a França possa seguir o mesmo caminho adotado pela Alemanha, que introduziu uma obrigação legal para manter um orçamento equilibrado.

 

O gasto público da França atualmente está em 52% do Produto Interno Bruto (PIB). É a relação mais alta entre os membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Em grande parte, esse dinheiro é utilizado para financiar despesas correntes, incluindo os salários de funcionários públicos e os juros da dívida.

Com isso, sobra pouco para o financiamento de projetos de larga escala, como trens rápidos e geradores de energia nuclear. No passado, esses projetos dependeram fortemente de financiamento do governo, mas ultimamente passaram para a iniciativa privada.

 

Sarkozy garantiu que o programa não prejudicará as finanças públicas do país. "O financiamento não aumentará os gastos correntes", complementou o ministro do Orçamento, Eric Woerth, presente no anúncio. O orçamento francês foi afetado pela crise, com o aumento de gastos para fortalecer a economia enquanto a renda está em baixa, como consequência da atividade ainda vacilante. O déficit do país deve subir de 77,1% do PIB neste ano para 91% em 2013, segundo previsão da OCDE.

 

O presidente francês disse também que o governo não venderá mais ações da Électricité de France para financiar seus projetos no setor educacional - como já fez no passado - por causa das condições do mercado. As informações são da Dow Jones.

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